Saúde fecha compra de 69 milhões de vacina, enquanto incinera 10,9 milhões não aplicadas

Saúde fecha compra de 69 milhões de vacina, enquanto incinera 10,9 milhões não aplicadas
Publicado: 05 de novembro, 2024
O MS (Ministério da Saúde) confirmou ao Poder360 que fechou a compra de 69 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 para abastecer o SUS (Sistema Único de Saúde) pelos próximos 2 anos.  Das vacinas adquiridas, 57 milhões são do imunizante desenvolvido com tecnologia recombinante pelo Instituto Serum da Índia, representado no Brasil pela Zalika Farmacêutica.
 
 
A tecnologia é chamada recombinante por ser composta por 2 fontes diferentes. A combinação potencializa a produção dos anticorpos. A farmacêutica foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em janeiro de 2024. A vacina é recomendada para pessoas a partir dos 12 anos e necessita de 2 doses para a imunização completa. As outras 11,92 milhões de doses contra a covid-19 foram compradas da Pfizer, disponível também para menores de 12 anos. A seleção dos fornecedores se deu por meio de um processo de licitação, no qual as empresas apresentaram os menores preços. 
 
 
Para “evitar desperdício e garantir proteção máxima”, a pasta disse que adotou o sistema de entrega parcelada conforme a demanda. Ou seja, a estratégia permite que o MS só compre vacinas quando houver necessidade, evitando o excesso de estoque. Permite também a possibilidade de troca pela versão mais atual da vacina aprovada pela Anvisa.
 
 
Ministério incinera 10,9 milhões de doses não aplicadas e vencidas
O Ministério da Saúde já incinerou, em 2024, 10,9 milhões de vacinas com o prazo de validade expirado. A maior perda se refere a imunizantes da Covid-19, mas há também doses para febre amarela, tétano, gripe e outras doenças.
 
 
A quantidade de imunizantes desperdiçados deve ser maior ainda, uma vez que o estoque do Ministério da Saúde armazena outras 12 milhões de doses que já venceram, incluindo 9 milhões da Janssen contra a Covid-19. As vacinas também devem ser incineradas.
 
 
Os dados foram obtidos pela coluna via Lei de Acesso à Informação (LAI). A resposta foi enviada em 25 de outubro.
 
 
Procurado, o Ministério da Saúde explicou que campanhas de desinformação impactaram a adesão da população aos imunizantes e assegurou que não há falta de vacinas no país.
 
 
Entre os imunizantes já incinerados, cerca de 6,4 milhões de doses eram para a Covid-19. A doença já matou mais de 5,1 mil pessoas no Brasil neste ano, de acordo com dados da pasta.
 
 
Já a DTP, vacina infantil que previne a difteria, o tétano e a coqueluche, aparece em seguida, com 3,1 milhões de doses incineradas. Depois, consta o imunizante contra febre amarela: foram 663,2 mil doses perdidas.
 
 
Como os dados são parciais, os números podem aumentar até o fim de 2024. A Saúde ainda explicou, em ofício, que “não possui gerência sobre a incineração no âmbito estadual”.
 
 
Aplicação de vacinas contra a Covid-19 começou depois do planejado
Campanhas de vacinação têm sido um desafio para o ministério. A própria iniciativa contra a Covid-19 é um exemplo: começou depois do planejado, em maio, com imunizantes com prazo curto de validade.
 
 
A crise na vacinação, porém, não é nova. Desde 2016, o Brasil registra diminuição nas taxas de cobertura para meningite e HPV, por exemplo. Houve até mesmo falta de estoque de doses no período, o que não existe no momento, de acordo com a pasta.
 
 
As taxas de vacinação foram parcialmente revertidas e aumentaram no ano passado. O Brasil saiu da lista dos 20 países com mais crianças não vacinadas, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgadas em julho.
 

O que diz o Ministério da Saúde sobre vacinas incineradas
Em nota, o Ministério da Saúde explicou que as vacinas da Covid-19 são o principal alvo de campanhas sistemáticas de desinformação, o que gera “desconfiança sobre a eficácia e segurança do imunizante, impactando a adesão da população”.
 
 
“Para evitar desperdício e garantir proteção máxima, na compra da vacina contra Covid-19 deste ano, o Ministério da Saúde adotou inovações: entrega parcelada por parte do laboratório contratado conforme a demanda apresentada pela pasta e possibilidade de troca pela versão mais atual aprovada pela Anvisa”, acrescentou a pasta.
 
 
O Ministério da Saúde também informou que o Programa Nacional de Imunizações adota “práticas como cláusulas de troca para lotes próximos à validade, contratos plurianuais para gestão eficiente, monitoramento contínuo dos estoques e reuniões mensais com laboratórios para ajuste de cronogramas”.
 
 
Fonte: Poder 360 e Metrópoles