A experiência brasileira com atenção primária, que hoje atende 130 milhões de pessoas, foi elogiada em três momentos do evento, inclusive pelo secretário de governo de saúde da Argentina, Adolfo Rubinstein. “O Brasil é nosso melhor exemplo”, disse ele.
Para o sanitarista Paulo Buss, da Fiocruz e também integrante da delegação brasileira, isso só foi possível porque houve continuidade de políticas em saúde, especialmente o programa saúde da família, desde o governo de Itamar Franco", disse.
Estudos internacionais mostram que o programa ESF (Estratégia Saúde da Família) reduziu as taxas de mortalidade infantil e de mortes cardiovasculares.
Para Buss, o programa de imunização e o acesso aos medicamentos no SUS foram fundamentais para o sucesso nesses indicadores. "Você sai da consulta e já tem a medicação para doenças como diabetes, hipertensão, asma e verminose."
De acordo com a Declaração de Astana, é necessária uma ação multissetorial que inclua tecnologia, conhecimento científico e tradicional, juntamente com profissionais de saúde bem treinados e remunerados, e participação das pessoas e da comunidade para que seja alcançada a tão sonhada saúde para todos com qualidade.
Reforça ainda a crescente necessidade de prevenção, controle e gestão de doenças não transmissíveis, como diabetes e doenças cardíacas, entre outras, que hoje são responsáveis ??por mais anos de doenças e mortes na maior parte do mundo, inclusive no Brasil.
Reconhece também a necessidade de remuneração adequada para os trabalhadores de saúde e investimento na educação, treinamento, recrutamento, desenvolvimento, motivação e retenção da força de trabalho.
Segundo Ghebreyesus, da OMS, os países devem se esforçar para oferecer e manter a força de trabalho em áreas rurais, remotas e menos desenvolvidas e não permitir a migração internacional do pessoal de saúde, o que mina a capacidade dos países em desenvolvimento de atender às necessidades de saúde de suas populações.