Seminário da UGT busca compartilhar boas práticas no sindicalismo global
Teve início nesta segunda, 27 de agosto, e se encerra nesta quinta, 30, em São Paulo, o “Seminário Continental de Formação sobre Instrumentos Internacionais e a OIT”, realizado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) em parceria com a Confederação Sindical de Trabalhadores da América (CSA).
Considerando a necessidade de a classe trabalhadora articular ações conjuntas e unitárias para aumentar seu protagonismo em nível global, o evento, que conta com o apoio da CSC (Central Sindical Cristã) e a coordenação do Ipros (Instituto de Promoção Social), enfatiza temas como migrações, violência no local de trabalho, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), proteção social, trabalho decente e cadeias produtivas.
Os objetivos são trocar boas práticas entre os países participantes e criar estratégias para aplicação das mesmas em diferentes instituições, fortalecendo a luta sindical em favor dos trabalhadores mundialmente.
Participantes
Para tanto, participam do seminário representantes de entidades sindicais da Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Haiti, República Dominicana e Venezuela, atuantes em áreas como educação, setor público, panificação, saúde, portuário, comércio, asseio e conservação, segurança do trabalho, telemarketing, setor imobiliário e de vestuário e confecções.
Para a mesa de abertura, o evento contou com as presenças de Ricardo Patah, presidente nacional da UGT; Laerte Teixeira da Costa, secretário de Políticas Sociais da CSA e vice-presidente da UGT; Annick de Ruyver e Philippe Yerna, da CSC da Bélgica; Roberto Nolasco, presidente do Instituo de Altos Estudos (IAE) da UGT; e Antonio Duarte, presidente do Ipros.
Imigrantes
“É muito importante um seminário como este, que aborda temas de dimensões tão grandiosas. A UGT tem feito trabalhos de longa data em cada uma dessas questões. Lutamos para que o brasileiro seja bem recebido em outros países, mas que faça o mesmo com os imigrantes que aqui chegam. Chamamos atenção nacionalmente, por exemplo, para uruguaios e colombianos que prestavam serviços análogos à escravidão para grifes de luxo em São Paulo. E, então, o Ministério Público foi atrás para resolver essa questão. Atuamos também em Roraima, com ações de sensibilização para a inclusão dos venezuelanos. Creio, ainda, que a UGT seja a central sindical que mais se dedica aos ODS, em temas como direitos das mulheres, dos povos indígenas, trabalho decente, entre outros. Por isso, hoje, dou as boas-vindas a todos que querem um mundo melhor, solidário e cidadão, ou seja, a todos que participam desse evento”, disse Patah.
Para Philippe Yerna, o Brasil tem se dedicado muito à busca de soluções para enfrentar a crise e há muitas experiências a serem trocadas. “Os temas aqui tratados são importantes tanto para os brasileiros quanto para os belgas. É necessário esse compartilhamento das ações que estão sendo desenvolvidas em diferentes países. Para enfrentar o capitalismo, precisamos nos unir. Nós enxergamos e ficamos muito impressionados com a força do sindicalismo brasileiro e esperamos poder contribuir em algo com a nossa experiência também”.
A importância do intercâmbio de experiências foi reiterada por Annick: “Não é porque a Bélgica é um país desenvolvido que não tem o que aprender. Queremos conhecer e compartilhar boas práticas porque acreditamos demais na solidariedade internacional por um mundo melhor”.
Violência no trabalho
Ontem, segundo dia do seminário, os temas discutidos foram "violência nos locais de trabalho" e "déficit do trabalho decente nas cadeias produtivas". O primeiro assunto foi abordado pela secretária-adjunta da Mulher da UGT, Cássia Bufelli. De acordo com a dirigente, não adianta ter uma lei ou mesmo uma norma internacional que recrimine o abuso, o assédio ou a discriminação de todo tipo, se o combate não acontecer na prática. "É preciso acabar com qualquer cultura machista, sexista, homofóbica. Não é fácil, mas o compartilhamento de boas práticas é um bom caminho. A essência do mundo sindical é a solidariedade. Então, precisamos desenvolver campanhas sindicais mundiais para acabar, na prática, com a violência em geral, especialmente no mercado de trabalho. Vamos, juntos, alavancar esse tema e ter uma próxima Convenção de peso na OIT".
Laerte Teixeira da Costa, secretário de Políticas Sociais da CSA e vice-presidente da UGT, reforçou que a violência é inerente ao ser humano desde sempre. "Houve uma evolução, mas ela ainda acontece. Com o tempo, a violência foi se 'sofisticando' e passando a ter lugares de preferência. Um deles é o local de trabalho. Existem mecanismos de defesa, mas as leis, na maioria dos países, não são eficientes. Por isso os sindicatos passaram a se preocupar e o tema chegou à OIT. Os trabalhadores lutam por uma regulamentação, convênio ou recomendação nesse sentido. E nossa atenção está voltada a todos os tipos de violência".
Cadeias produtivas
Ao falar sobre as cadeias produtivas, Roberto Nolasco, presidente do Instituto de Altos Estudos (IAE) da UGT, afirmou que, cada vez mais, precisamos entender que uma empresa, hoje, não pertence mais apenas a um país. São cadeias de produção.
Além disso, adaptações serão mais e mais necessárias. "No Brasil, 60% dos jovens afirmam que não querem ter um trabalho formal. Ou seja, nossos sindicatos terão que se organizar a partir das pessoas, e não mais por categorias, como acontece hoje", explicou Nolasco.
Isamar Escalona, da CSA, falou sobre a importância das entidades sindicais ficarem atentas a empresas transnacionais que procuram países com legislações mais fracas e mão de obra barata, pensando, exclusivamente, em baratear custos e evitar impostos. "Esta lógica contraria todo o modelo de desenvolvimento pelo qual o sindicalismo luta".
Fonte: UGT