Sindicalismo se mobiliza para ajudar a população vítima da tragédia do litoral norte

Sindicalismo se mobiliza para ajudar a população vítima da tragédia do litoral norte
Publicado: 27 de fevereiro, 2023

 A tragédia que assolou as cidades do litoral norte paulista que já tem 54 mortes, cerca de 30 desaparecidas e 4 mil desalojados e desabrigados, por esse motivo as centrais sindicais determinaram ontem, 23 de fevereiro, que os espaços das colônias de férias dos sindicatos filiados sejam oferecidos provisoriamente para as vítimas das chuvas que ficaram desabrigadas.

 
 
 
Além de abrigar os desabrigados, as sedes dos sindicatos receberão doações de cestas básicas.
 
 
 
Confira a íntegra da nota das Centrais Sindicais que cobram mudanças significativas para proteger a vida dos trabalhadores.
 
 
 
 
 
Enxurradas e deslizamentos no Litoral Norte de São Paulo: uma tragédia anunciada
 
A série de desastres desencadeada pelas fortes chuvas que devastaram o Litoral Norte de São Paulo, com dezenas de mortos, feridos e desabrigados em um conjunto incontável de perdas que enlutou o País é, infelizmente, um fenômeno que se repete a cada verão e que tem como principais causas os abusos ambientais e sociais na forma de ocupações irregulares e falta de condições e infraestrutura para a população local.
 
Autoridades e especialistas chamam a atenção para o volume de chuva, que bate recordes conforme a ganancia especulativa avança de forma desordenada. O fator humano na raiz do desastre não está sendo negligenciado, mas cabe reforçá-lo para não deixar que o argumento baseado na abundância de água tornese um pretexto para empurrar a solução para um futuro incerto.
 
Enfrentar e combater crimes ambientais é um trabalho de longo prazo que gera impopularidade uma vez que seus efeitos estão em descompasso com o tempo de cargos eletivos e uma vez que gera atritos com interesses particulares, comumente colocados à frente dos interesses coletivos.
 
Entretanto este é um debate urgente e que está na ordem do dia. Acreditamos que atualmente a questão ambiental e todos os fenômenos sociais e sanitários em torno dela estão mais amadurecidos na sociedade. Acreditamos, sobretudo, que o respeito e a preservação ao meio ambiente são atitudes promissoras do ponto de vista do desenvolvimento.
 
Por tudo isso as Centrais Sindicais exigem que os governos municipais, estaduais e federal ampliem, com urgência, políticas públicas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, que atendam a população de baixa renda, uma vez que essas são as principais vítimas. Encosta de morro não pode servir de moradia para nenhuma família.
 
Essa tragédia, já vinha sendo anunciada há anos, com o desastre de Nova Friburgo e Teresópolis (2011), as tempestades no Vale do Itajaí, Santa Catarina (2020), as enchentes da Bahia (2022), as chuvas em Petrópolis (2022), entre outras.
 
É necessário dar um basta nessa situação! As Centrais Sindicais, que representam mais de 50 milhões de trabalhadores, EXIGEM a implantação de um programa habitacional para atender os mais necessitados, pois não é possível que o trabalhador e suas famílias continuem sendo empurrados para as perigosas encostas de morros por falta de um programa habitacional justo.
 
É preciso que haja uma solução!
 
São Paulo, 23 de fevereiro de 2023
 
Sérgio Nobre, presidente da CUT - Central Única dos Trabalhadores
 
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
 
Ricardo Patah, presidente da UGT - União Geral dos Trabalhadores
 
Adilson Araújo, presidente da CTB - Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
 
Moacyr Auersvald, presidente da NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
 
Antonio Neto, presidente da CSB - Central de Sindicatos do Brasil
 
 
Fonte:  Redação Mundo Sindical - Manoel Paulo - 24/02/2023