Sindicato denuncia precariedade no Vera Cruz, mas Prefeitura nega

Sindicato denuncia precariedade no Vera Cruz, mas Prefeitura nega
Publicado: 23 de fevereiro, 2018

 Gradualmente vem diminuindo o número de pacientes internados no Hospital Vera Cruz e conforme as altas avançam, enfermeiros e auxiliares são dispensados. A situação, porém, está precária, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Sorocaba e Região (Sinsaúde) e um funcionário que pediu para não ter a identidade revelada.

 
Segundo o funcionário, a diretoria do hospital, gerido pela organização social (OS) Associação Paulista de Gestão Pública (APGP), determinou que várias alas fossem fechadas e assim muitos pacientes ficaram alojados juntos. O trabalhador relata que há períodos em que três auxiliares de enfermagem ficam responsáveis pelos cuidados de cerca de 60 pacientes em um mesmo recinto. "É um problema antigo que com a proximidade do fechamento do hospital está se agravando", afirma Milton Sanches, presidente do sindicato que representa a categoria.
 
Segundo Sanches, cerca de 50 pessoas ainda trabalham no hospital psiquiátrico, mas se revezam em três turnos e por isso o número é insuficiente para atender os 125 pacientes que permanecem internados.
 
O presidente do sindicato informou que nas últimas semanas, devido a entrega de novas Residências Terapêuticas (RTs), as altas estão ocorrendo em maior número. A coordenadora de Saúde Mental de Sorocaba, Fernanda Biudes, em entrevista para a Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem, informou que até a próxima segunda-feira, mais quatro RTs do tipo dois começarão a funcionar. Nessas residências, segundo Fernanda, os moradores têm cuidador em período integral e o acompanhamento de um auxiliar de enfermagem.
 
Segundo nota da APGP, o atendimento no Vera Cruz "continua sendo feito com a mesma qualidade". Contrariando o sindicato, informou que são 130 funcionários, sendo 93 no período diurno e 37 no noturno. Ainda conforme a nota, "devido o estado de greve alguns funcionários não trabalharam, com isso tivemos que preencher lacunas da melhor forma possível. Além disso, com as altas ocorrendo em grande escala os funcionários já estão sendo desligados do hospital, o que reduziu o quadro de funcionários". Ontem, o hospital estava com 107 internados e até sexta-feira o número deveria cair para 71, de acordo com a APGP.
 
Já a Secretaria de Saúde (SES) da Prefeitura, também em nota, informou que "por meio da Coordenação de Saúde Mental, realiza supervisão em todos os serviços prestados aos cuidados dos nossos pacientes/moradores". Mas deu um número diferente de internados -- 123 pacientes. "Estamos no processo de encerramento das atividades e contamos com a colaboração desses funcionários para o cuidado integral desses pacientes. Nesse momento, os cuidados estão sendo realizados e não há prejuízo à saúde e integridade dos pacientes", diz a nota.
 
Pagamento
 
Na quinta-feira passada, o sindicato também anunciou o estado de greve dos trabalhadores contratados pela APGP para atuarem nas RTs, nos Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e no hospital. Segundo Sanches, os salários referentes ao mês de janeiro, que deveriam ter sido pagos no quinto dia útil de fevereiro, foram pagos somente no início da tarde de ontem. "Cancelamos a greve, mas ainda vamos acompanhar como será feita a rescisão desses trabalhadores, visto que o hospital fechará no dia 6 de março", disse o presidente da entidade.
 
Com base numa nova política de Saúde Mental, estabelecida pelo Ministério da Saúde, Sorocaba assinou, em dezembro de 2012, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que determinou, como meta ao município, o fechamento dos quatro hospitais psiquiátricos até então existentes na cidade. Somente o Vera Cruz segue aberto.
 
 
 
Foto: FÁBIO ROGÉRIO / ARQUIVO JCS