Sinsaúde participa de audiência na Alesp sobre violência contra trabalhadores da saúde
As agressões e violências de toda ordem contra profissionais da saúde em seus locais de trabalho é um assunto antigo para a categoria, mas que ganhou força nas últimas semanas após uma reportagem exibida no Fantástico, da TV Globo, no dia 10 de agosto.
O assunto foi tema do debate realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quarta-feira (3). O presidente da subsede do Sinsaúde em Limeira, Leandro Barreto, o diretor de Orientação Sindical, José Augusto de Sousa, e a diretora sindical e representante da Federação Paulista da Saúde, Alexssandra Pires, participaram do encontro, que reuniu profissionais, políticos e representantes dos trabalhadores da saúde.
O presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto, apresentou dados de uma pesquisa realizada entre 8 mil profissionais da saúde do estado de São Paulo, que apontou que mais de 80% já sofreram algum tipo de violência durante o exercício das funções. Sete de cada dez agressões partiram de pacientes ou acompanhantes nas unidades de saúde.
“É muito importante sensibilizar quem produz as leis para avançar em políticas públicas que reduzam a violência. Esta é uma luta da categoria, não podemos ficar calados. As estruturas institucionais contribuem para uma resposta reativa da população”, explicou o presidente do Coren-SP, que representa 662 mil profissionais da enfermagem no estado.
“Muitas ideias para reduzir a violência contra os profissionais foram apresentadas, inclusive a de um botão do pânico, que pode ser instalado nas unidades de saúde”, conta Alexssandra. Para Augusto, este é um tema importante que afeta toda a categoria e a qualidade da prestação de serviço. “Precisamos levar este debate cada vez mais longe, conscientizar a sociedade e tentar reduzir as variáveis que levam à violência”, afirma.
Medo e impunidade
Mais de 70% dos profissionais que sofrem violência não denunciam, segundo a pesquisa, e quase 60% têm sensação de impunidade com relação aos casos que ocorrem.
O presidente da subsede do Sinsaúde em Limeira acredita que o Sindicato possa dar repercussão ao debate dentro de sua base. “O Sindicato coloca à disposição da categoria seus canais de denúncia, sua estrutura de comunicação e jurídica para debater, conscientizar e atacar o problema da violência, que todo o profissional da saúde conhece. Mas é preciso tomar medidas efetivas para processar os agressores e os hospitais que permitem que isso aconteça”, alerta.
Misoginia
Dos quase 8 mil profissionais que responderam à pesquisa do Coren-SP, 86% eram mulheres, 48% delas pretas e pardas e 55% com até 40 anos, o que revela que a violência contra os profissionais da saúde tem um “quê” de misoginia.
Segundo os dados, a maior parte da violência é verbal (86,8%), seguida da psicológica (78%) e depois vem a física, de acordo com a resposta de 21% dos participantes. 7,3% sofreram violência de gênero e 6% assédio sexual.
Quem pratica a violência, em sua grande maioria, são os próprios pacientes (68,8%). Familiares dos pacientes atacaram 58,8% dos trabalhadores que responderam ao questionário. Metade (50,2%) dos profissionais sofreram agressões de acompanhantes dos pacientes.
A maior desculpa para a violência é a demora no atendimento (65,5%), seguida da estrutura da unidade (55,3%) e, em terceiro, da insatisfação com a assistência (31%).
Rede privada
As lideranças políticas e profissionais que participaram da audiência na Alesp destacaram que características estruturais e institucionais da assistência à saúde criam um caldeirão de reatividade violenta entre os usuários. Mas erra quem pensa que os atos de violência acontecem apenas em unidades públicas, porque os relatos apontam que elas ocorrem na rede privada e nos hospitais administrados por organizações sociais.
“Enfermeiros, técnicos e auxiliares e todos os profissionais da saúde devem se unir em uma só voz para assumir espaços de debate, inclusive no legislativo. Precisamos estar vivos para salvar vidas”, pondera a deputada estadual do Rio de Janeiro, Lilian Prates Behring, que participou da mesa na Alesp.
O conselheiro do Coren-SP, representante de técnicos e auxiliares de enfermagem, Fernando Henrique Vieira, desabafou: “Devemos solicitar mais segurança para os profissionais da saúde. Na pandemia éramos heróis, agora apanhamos. Nós não somos sacos de pancada”, dispara.
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região