Sumido, Zé Gotinha é resgatado diante de baixa adesão para vacinação
A dificuldade de cumprir metas de vacinação colocou em evidência no Brasil um personagem que andava meio sumido.
Com 32 anos, sete presidentes no currículo e uma história pouco conhecida pelos meandros da administração federal, Zé Gotinha ganhou papel central na campanha contra a poliomielite e o sarampo.
No momento em que a imunização oral contra a pólio entrou no centro da campanha, o boneco em formato de gota virou presença certa em campanhas de mídia e mobilizações de estados e municípios.
Para o que realmente importa, que é a mobilização para a ida aos postos, o efeito do personagem também é muito significativo, afirma Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
Não à toa, o boneco que a secretaria já tinha há um bom tempo deixou o almoxarifado para aparecer em diversas unidades de saúde, e uma nova versão dele vai ser encomendada para o ano que vem.
“Não dá para abrir mão, ele faz muito sucesso com as crianças”, diz Sato. Para ela, o sucesso do Zé Gotinha está no fato de as mães associarem o personagem ao dia da vacina e a uma coisa boa —não a injeções e doenças, por exemplo.
Coordenadora da imunização na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, Maria Lígia Nerger concorda e avalia que o personagem ganhou mais evidência pelo fato de a campanha atual ter como uma das prioridades a vacina da pólio, que tem uma versão oral.
Mobilizações anteriores também se valeram do personagem, mas ele não tinha o protagonismo de agora.
O foco atual na pólio, ao lado do sarampo, foi definido após a constatação da baixa cobertura vacinal contra a doença no país. No ano passado, o índice ficou em 77%.
Neste ano, mesmo as crianças que já tinham sido imunizadas têm que voltar aos postos. Isso porque a atual campanha é “indiscriminada”, ou seja, mesmo as que estão com a carteirinha de vacinação em dia devem receber novas doses de reforço para garantir o bloqueio das doenças.
Apesar das propagandas e mobilizações, porém, a vacinação ainda está longe da meta de 95% das crianças. Segundo o Ministério da Saúde, até terça (28), 70% das crianças foram imunizadas. Diante disso, a pasta orientou prefeituras e governos a abrir os postos neste sábado (1º).
CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO
Período Até 1º/9. Pode haver prorrogação em alguns estados e municípios
Vacinas oferecidas Poliomielite e tríplice viral (protege contra caxumba, sarampo e rubéola)
Público alvo Crianças com idade a partir de 1 ano e menor que 5 anos, ainda que já tenham sido vacinadas contra essas doenças
Fonte: Folha de SP