Trabalhadores da UPA Zona Leste seguem sem verbas rescisórias após troca de gestão, denuncia Sintrasaúde

Trabalhadores da UPA Zona Leste seguem sem verbas rescisórias após troca de gestão, denuncia Sintrasaúde
Publicado: 15 de maio, 2026
A troca de gestão da UPA da Zona Leste, em Santos, segue gerando insegurança e indignação entre os trabalhadores da saúde que atuavam na unidade sob administração da Organização Social Pró-Saúde. Segundo o Sintrasaúde, quase duzentos profissionais permanecem sem receber as verbas rescisórias após o encerramento do contrato entre a Prefeitura de Santos e a OSS.
 
O contrato da Pró-Saúde foi encerrado oficialmente no dia 30 de março. A partir de 31 de março, a gestão da unidade passou a ser realizada pela organização Caminho de Damasco. Desde então, os trabalhadores aguardam o pagamento dos direitos trabalhistas referentes ao desligamento.
 
De acordo com o sindicato, durante todo o processo houve acompanhamento junto aos gestores municipais e reuniões com a Secretaria de Saúde. O secretário de Saúde, Fábio Lopes, teria garantido ao sindicato que os direitos dos trabalhadores seriam respeitados e que o pagamento das verbas ocorreria dentro do prazo legal.
 
No entanto, o prazo para quitação das verbas rescisórias venceu no dia 15 de abril e os pagamentos não foram realizados.
 
Segundo informações divulgadas pela assessoria da Secretaria de Saúde, a Prefeitura ingressou com uma ação de consignação em pagamento na Justiça, alegando entraves envolvendo a situação judicial da Pró-Saúde. A medida tinha como objetivo depositar em juízo os valores correspondentes às rescisões trabalhistas.
 
Entretanto, o processo foi extinto pelo Judiciário. Ainda segundo a assessoria da Secretaria, a Prefeitura recorreu da decisão.
 
Para o Sintrasaúde, a medida acabou prejudicando diretamente os trabalhadores, que seguem sem acesso aos recursos necessários para cumprir compromissos financeiros básicos.
 
“O trabalhador não pode pagar pela falta de planejamento e pelos problemas administrativos envolvendo Prefeitura e Organização Social. São pais e mães de família que dependem desse dinheiro”, destacou o Presidente Ademir Irussa.
 
O sindicato afirma ainda que toda a documentação necessária para homologação das rescisões — incluindo Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, guias do FGTS e seguro-desemprego — foi encaminhada pelo RH da Pró-Saúde à entidade sindical, que se colocou à disposição para realizar as homologações dos quase 200 funcionários desligados.
 
Com o não cumprimento do prazo legal para pagamento das verbas rescisórias, a Prefeitura poderá ser condenada ao pagamento da multa prevista no artigo 477 da CLT. Segundo estimativas do sindicato, o valor pode ultrapassar R$ 500 mil.
 
A entidade também criticou o fato de o Município alegar somente agora problemas judiciais envolvendo a OSS, após mais de cinco anos de contrato de gestão na saúde municipal.
“A população acaba pagando a conta mais uma vez. É inadmissível que, após tantos anos de contrato, a Prefeitura alegue desconhecimento sobre a situação da Organização Social apenas no momento de quitar os direitos dos trabalhadores”, diz Irussa.
 
Até o momento, não há previsão oficial para a regularização dos pagamentos,
O jurídico do sindicato já protocolou na manhã de hoje (13), um pedido de mediação de conflito coletivo, junto ao Ministério Público para que providências sejam tomadas.
 
 
Fonte: Sintrasaúde