A União Geral dos Trabalhadores (UGT), representada por sua comitiva de lideranças sindicais, marca presença no 5º Congresso da Confederação Sindical das Américas (CSA TUCA), que passou a se chamar 5º Congresso CSA TUCA Pepe Mujica, em homenagem ao ex-presidente do Uruguai, falecido recentemente.
A mudança de nome celebra o legado de José "Pepe" Mujica, figura admirada em todo o continente por sua trajetória de luta, humildade e compromisso com os direitos humanos e trabalhistas. Em uma bela homenagem visual, o logotipo do evento — um mapa das Américas Central e do Sul — ganhou o contorno do rosto do ex-presidente, imortalizando sua imagem como símbolo da resistência e esperança para os trabalhadores e trabalhadoras do continente.
Mujica, que nos deixou vítima de um câncer avançado, sempre foi referência por suas ideias progressistas e sua vida coerente com os ideais que defendia. Uma de suas frases mais conhecidas, “A vida não é só trabalhar”, expressa de forma simples a crítica a modelos de exploração e a valorização da dignidade humana — um princípio que a UGT também defende, especialmente na luta pelo fim da jornada 6x1.
O congresso, que reúne lideranças sindicais de todas as Américas, acontece ao longo de cinco dias de debates intensos, construção coletiva e articulação estratégica. Estão presentes 165 delegados e delegadas titulares — 85 mulheres, 80 homens e 18 jovens —, cumprindo os critérios de paridade e representatividade defendidos pela CSA. Completam a composição: 24 suplentes, 20 observadores, 105 convidados(as) e 37 integrantes do staff. A presença de organizações internacionais como a OIT, CSI, IndustriALL e UNI Global Union, com ampla participação feminina, reforça a força global do evento.
Uma conquista importante para o sindicalismo das Américas foi a eleição da venezuelana Marcela León como nova presidenta da CSA TUCA, fortalecendo a presença feminina na liderança continental.
A delegação da UGT é formada por lideranças comprometidas com a transformação do mundo do trabalho e a ampliação da democracia sindical. Estão presentes:
Eleuza de Cássia Bufelli Macari (Vice-presidente)
Laerte Teixeira da Costa (Vice-Presidente)
José Moacyr Malvino Pereira (Secretário de Finanças)
Cícero Pereira da Silva (Secretário Adjunto de Relações Internacionais)
Sidnei de Paula Corral (Secretário de Integração para as Américas)
Maria Edna Ferreira de Medeiros (Secretária da Mulher)
Josineide de Camargo Souza (Secretária de Assuntos de Migração)
Luiz Gustavo de Pádua Walfrido Filho (Secretário para Políticas de Qualificação Profissional)
Silvana alves de Souza de Oliveira (Delegada UGT)
Júlio Viana (STILASP/UGT)
Bárbara Cunha (Sinttel-SC/Fenattel/UGT)
As telecomunicações da UGT, representadas pelas companheiras Maria Edna Medeiros e Bárbara Cunha, asseguraram espaço no Comitê de Mulheres e no Comitê de Juventude da CSA TUCA. “Dividir esse espaço com a jovem companheira Bárbara deixa claro o compromisso das telecomunicações, impulsionando nossa presença em instâncias internacionais, promovendo intercâmbio de experiências e reforçando nossa atuação diante dos desafios do trabalho contemporâneo, das transformações climáticas e sociais e do novo papel do movimento sindical no mundo”, destacou Maria Edna.
A participação da UGT neste congresso simboliza mais um passo na construção de alianças globais, na promoção da igualdade de gênero, da juventude e da diversidade. Consolidando conquistas do passado, firmando o presente e projetando um futuro mais justo para todas as trabalhadoras e trabalhadores das Américas.
"Mulheres e juventude são o futuro do sindicalismo nas Américas", afirma Ricardo Patah
A participação da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no 5º Congresso da Confederação Sindical das Américas (CSA TUCA) – que nesta edição homenageia Pepe Mujica – está marcada por um discurso contundente do presidente da entidade, Ricardo Patah. Com coragem e clareza, Patah apontou os caminhos que os sindicatos precisam trilhar diante dos novos desafios do mundo do trabalho, sobretudo com a urgência de romper paradigmas históricos dentro do próprio movimento sindical.
“Este congresso marca uma quebra de paradigma fundamental em alguns temas”, declarou Patah. A avaliação se refere ao conteúdo abrangente do primeiro relatório apresentado, que contempla as mais variadas demandas dos trabalhadores e trabalhadoras das Américas. Mas o destaque maior de sua fala recaiu sobre um fato simbólico e transformador: “Pela primeira vez, temos um congresso com mais mulheres que homens”, afirmou, reforçando que esse número é mais que estatística — é um sinal de que a mudança está em curso, embora ainda haja um longo caminho a percorrer.
Patah foi enfático ao denunciar que, apesar dos discursos em defesa da igualdade, na prática muitas vezes as ações não acompanham as falas. “As mulheres continuam sendo assediadas, violentadas e discriminadas. A indignação com isso precisa ser mostrada a partir de agora, com ações concretas”, disse. Para ele, o movimento sindical não pode mais se contentar com declarações genéricas — é preciso abrir espaço, garantir voz e vez às mulheres nas instâncias de decisão, nas mesas de negociação e nas estruturas de poder sindical.
O presidente da UGT também destacou a importância da juventude, outro eixo fundamental do congresso. “A juventude precisa estar atuando. Não adianta querermos uma série de mudanças se não temos uma democracia instalada e participativa”, afirmou. Em tempos de novas formas de trabalho — como os realizados por aplicativos —, a representação e a proteção dos jovens trabalhadores se tornam questões estratégicas para o futuro do sindicalismo.
Ao tratar do racismo, Patah não poupou palavras. Chamou o preconceito racial de “uma forma odiosa que persiste no Brasil e em tantos países do continente”, e lembrou que não se pode avançar em justiça social sem enfrentar com firmeza as desigualdades estruturais que afetam a população negra.
O discurso de Patah reforça o papel da UGT como uma central preocupada não apenas com os direitos trabalhistas clássicos, mas com um sindicalismo comprometido com os direitos humanos, a diversidade e a inclusão. Em sua visão, o sindicalismo do futuro precisa ser feito por mulheres, jovens e pessoas comprometidas com a construção de uma democracia real, popular e plural.
O 5º Congresso CSA TUCA segue como um espaço fundamental de articulação entre sindicatos das Américas, e o protagonismo da UGT nesse processo reafirma sua relevância internacional na luta por um mundo do trabalho mais justo, diverso e humano.
Fonte: UGT