Variantes do coronavírus: pesquisadores brasileiros e uruguaios rastreiam genoma do vírus na fronteira entre os dois países

Variantes do coronavírus: pesquisadores brasileiros e uruguaios rastreiam genoma do vírus na fronteira entre os dois países
Publicado: 17 de fevereiro, 2021

 Um grupo de especialistas brasileiros e uruguaios vem se dedicando a uma pesquisa inédita: analisar o genoma dos casos de coronavírus na fronteira entre os dois países. O objetivo é entender como o vírus se comporta na região — afinal, apesar das demarcações territoriais, "não existe fronteira biológica". O trabalho começou em junho do ano passado. Reunidos no "Grupo Fronteira", biólogos, virologistas, bioinformatas, bioquímicos e imunologistas analisam as amostras de registros positivos de covid-19 em Rivera, ao lado de Santana do Livramento, e em Rocha, em frente ao Chuí, no Rio Grande do Sul.

 
 
O entendimento dos cientistas é que, devido à forte integração dos moradores na área de fronteira, torna-se natural que o que ocorra no sul do Brasil seja replicado no território uruguaio. Essa movimentação do vírus acaba sendo motivo de preocupação; casos parecidos já ocorreram em nações vizinhas, como a Colômbia e o Peru por exemplo.
 
O grupo multidisciplinar, que envolve a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, o Instituto Pasteur, a Universidade da República, o Instituto de Pesquisas Biológicas Clemente Estable (IIBCE) e o Sanatório Americano, de Montevidéu, já realizou a "vigilância epidemiológica" em mais de 100 casos de coronavírus.
 
Na quinta-feira passada, o grupo informou ter encontrado uma nova variante do vírus Sars-CoV-2, a partir das análises realizadas em janeiro. "O grupo detectou uma cepa de origem brasileira que predomina atualmente no Rio Grande do Sul, que não gera infecções graves", diz o texto divulgado pela Universidade da República (Udelar), após a conferência do Grupo Fronteira.
 
Nos próximos dias, segundo disse à BBC News Brasil o reitor da Udelar, o economista Rodrigo Arim, o rastreamento das cepas do coronavírus será "em tempo real", a partir da conexão dos laboratórios em todo o país e a participação das entidades do grupo de pesquisa. "O acompanhamento diário das características genômicas do SARS-CoV-2 é importante porque, através do conhecimento, podem ser geradas políticas públicas na área da saúde", diz Arim à BBC News Brasil, em entrevista por telefone, de Montevidéu.
 
Fonte: UOL Notícias