Vitória da extrema direita na Argentina deve colocar trabalhadores mobilizados para enfrentar ataques

Vitória da extrema direita na Argentina deve colocar trabalhadores mobilizados para enfrentar ataques
Publicado: 23 de novembro, 2023

 Na tarde de domingo (19), a mídia argentina anunciou sobre a possibilidade de adiamento do resultado da votação eleitoral para presidência do país, caso a contagem de votos estivesse com diferença muito pequena. Se assim fosse, esperariam a contagem final para anunciar o resultado, que levaria mais alguns dias.

 
Entretanto, pouco depois de duas horas da apuração, às 20h20, com 97% das urnas apuradas, o ultradireitista Javier Milei (La Libertad Avanza) obtinha 55,76% dos votos, contra 44,23% do governista Sergio Massa (Unión por la Patria), ministro da Economia de Alberto Fernandez.
 
Uma diferença de quase 3 milhões de votos, quando as pesquisas de boca de urna indicavam empate técnico, fez Sérgio Massa reconhecer a derrota.
 
No total, 76,3% dos votantes argentinos foram as urnas no último domingo, ou seja 26 milhões de pessoas.
 
Insatisfação com economia
 
É importante destacar que parcela importante dos votantes em Milei, não votou conscientemente na extrema direita ou no fascismo, em candidato que defenda a ditadura militar argentina ou a política prometida de privatizações que pretende entregar também a saúde e educação, entre outros setores, para as mãos de empresas privadas. Essa parte votou contra o governo atual e contra as condições de vida duríssimas que estavam sendo impostas a classe trabalhadora no país.  
 
A inflação galopante tornou a situação econômica insustentável à população. Quase dobrou de 50,9% em 2021 para 94,8% em 2022. E deu um salto para 142,7% neste ano.
 
A alta do custo de vida impôs a pobreza a 40% da população e 9,3% vivem em situação de indigência. Em agosto último, supermercados chegaram a ser alvo de saques em algumas cidades argentinas.
 
A taxa de juros ultrapassou 130% ao ano.
 
A economia está dolarizada e há diversos câmbios diferentes no país.
 
A Argentina está totalmente endividada. Sem condições de sustentar o déficit externo, porque na relação exportação/importação está saindo muito mais dólar do que entra.
 
Assim, os resultados eleitorais comprovaram que a maioria da população não acreditou nas promessas de campanha de Massa para resolver o problema econômico.
 
As propostas ultraliberais de Milei
 
Milei surgiu com promessas ultraliberais radicais de acabar com o Banco Central; dolarizar de vez a economia; acabar com o que chamou de "obras públicas", ou seja, impor privatizações em diversos setores, inclusive educação e saúde; cortar os programas sociais existentes; militarizar e permitir o porte de armas, entre outras propostas que prejudicarão exatamente a classe trabalhadora e a população mais pauperizada.
 
Atuará contra os direitos trabalhistas e direitos das minorias e das mulheres.
 
Promete aplicar essas medidas ultraneoliberais rapidamente, o que parece ser fácil no discurso, mas na prática não deve ser assim.
 
Classe trabalhadora deve se preparar para resistir  
 
Na nova gestão governamental, a classe trabalhadora argentina deve se juntar aos outros setores oprimidos, para se levantarem contra os planos de ajustes, os ataques aos direitos democráticos e trabalhistas, as privatizações.
 
É urgente que se preparem para um ataque rápido e brutal, pois Milei tentará se mostrar confiável ao imperialismo e às empresas.
 
Assim, sem se desviar de sua trajetória de lutas, o povo argentino precisa estar a postos para enfrentá-lo desde o primeiro ataque. Mobilizar as fábricas, locais de trabalho, escolas, universidades, bairros. Unir trabalhadores, trabalhadoras e movimentos populares.
 
O povo argentino precisará de forte resistência para impedir a implementação dos projetos do ultraliberal Milei.  
 
(Imagem: Poder 360)
 
 
Fonte:  CSP-Conlutas - 22/11/2023