Voluntários que tomaram dose da vacina chinesa passam bem, diz pesquisador em Ribeirão Preto, SP

Voluntários que tomaram dose da vacina chinesa passam bem, diz pesquisador em Ribeirão Preto, SP
Publicado: 31 de julho, 2020

 Os dez primeiros voluntários de Ribeirão Preto (SP) que receberam nesta quinta-feira (30) a dose da vacina chinesa em teste contra o coronavírus passam bem e não apresentaram nenhuma reação, segundo o professor Eduardo Barbosa Coelho, do Departamento de Clínica Médica do Hospital das Clínicas (HC) e coordenador do estudo.

 
Os testes do imunizante produzido pela farmacêutica chinesa Sinovac Life Science começaram a ser feitos no Brasil por meio de uma parceria com o Instituto Butantan.
 
De acordo com Coelho, dos 500 selecionados na cidade, todos profissionais de saúde, metade vai receber o produto analisado e o restante, placebo. A distribuição será feita por sorteio eletrônico. Pesquisadores e voluntários não têm conhecimento sobre qual substância será aplicada em cada grupo.
 
Os voluntários serão acompanhados ao longo de um ano. Cada um deles receberá um termômetro para aferir a temperatura e um diário, onde devem anotar qualquer tipo de reação.
 
“No início, as consultas são muito próximas, a gente vai seguir essas pessoas de forma muito mais próxima. A partir da 13ª semana de estudo, a gente vai passar a seguir essas pessoas de forma mais espaçada. Mesmo assim, com contatos telefônicos constantes”, explica o coordenador.
 
Testes para Covid-19
De acordo com Coelho, antes de receber a primeira dose, os dez profissionais de saúde vacinados nesta quinta-feira passaram por uma bateria de exames, incluindo testes rápidos, sorológicos e RT-PCR para coronavírus. Neste início do estudo, o resultado negativo é condição essencial para a participação.
 
Ao longo da avaliação, cada voluntário será submetido a pelo menos seis testes RT-PCR, que é aquele que acusa a presença do vírus (Sars-Cov-2) no organismo.
 
“O que a gente procura em um teste de vacina é saber se houve número de casos novos. Se o produto funciona bem, ele vai proteger as pessoas. Quanto mais casos novos eu tiver dentro do estudo, mais rápido eu consigo saber se o produto funciona ou não”, afirma Coelho.
 
De acordo com Coelho, a primeira parada programada da pesquisa deve ocorrer quando 150 dos nove mil voluntários testados em todo o país forem diagnosticados. Ao todo, 12 centros foram credenciados. O Instituto Butantan é o responsável pelo monitoramento dos casos.
 
CoronaVac
A vacina da Sinovac usa uma versão do vírus inativado. Isso quer dizer que não há a presença do coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.
 
Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes dele. Isso garante que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe).
 
Elas implantam uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade de quem é vacinado. Quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para induzir uma resposta imune.
 
“Você injeta essas partículas no voluntário com a ideia de que ele desencadeie resposta imunológica. Com isso, que ele fique protegido da doença pela proteção não só de anticorpos, mas também com que a gente chama de resposta celular. Existem células no nosso organismo que são capazes de identificar o vírus e matar essa célula infectada antes que os vírus se espalhem pelo organismo.”
 
Previsão
O estudo está previsto para durar um ano, mas, se o produto apresentar resultados positivos, poderá ser disponibilizada até janeiro de 2021, segundo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
 
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, se a vacina for aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala e fornecimento gratuito ao Sistema Único de Saúde (SUS). O produto precisa ser registrado pela Anvisa.
 
Fonte: G1
Foto: Luciano Tolentino/EPTV