Workshop da Uni Care/Uni Global, em Bogotá, termina com importante debate sobre tendências de negócios na saúde privada
Para se ter uma ideia do avanço destas empresas nos países das américas, basta observar que a Unitedhealth Group - mantenedora da Amil - e maior seguradora dos Estados Unidos, já é a número 1 no Brasil, Chile e Peru. A empresa emprega 285 mil profissionais da saúde no mundo e fatura U$ 200 milhões, dos quais U$ 7 milhões são o lucro líquido.
Em processo de forte expansão ainda surgem outras empresas como Fresenius Medical Care com atuação no Chile e a alemã Keralty com forte presença na Colômbia e a Notre Dame Intermédica também no Brasil, seguida da empresa Orpea, que atua no segmento de Casas de Repouso e já soma 2 mil camas no País.

O presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo, Edison Laércio de Oliveira e seu vice, Paulo Pimentel, acompanharam as exposições, seguidas de debates nos três dias de realização do evento. “Foi muito importante os estudos feitos pelos presentes, pois amplia nossos conhecimentos, além de abrir uma nova visão sobre o que e como devemos negociar com os setores patronais”, destaca Edison de Oliveira.
Ele lembra que o sistema de saúde brasileiro, até 2014 era restrito a participação do capital estrangeiro, mas “a presidente Dilma Rousseff, ignorando o pedido de diversas entidades e organizações que trabalham em defesa da saúde pública, sancionaria a lei 13.097, aprovada pelo Congresso Nacional em 10 de dezembro do mesmo ano. A então presidente sancionou a lei em 19 de janeiro de 2015, que entre diversos artigos, continha a regra que amplia, em muito, o campo de atuação das empresas multinacionais de saúde do Brasil.
“O problema maior é que estas empresas entram no país dispostas a nivelar os direitos trabalhistas por baixo, a começar pelos salários”, protesta Edison, lembrando que esta é uma das mais importantes batalhas dos sindicatos filiados a Federação Paulista da Saúde. “E também do Brasil, com certeza! ”, completa ele.
Dieese mostra as transnacionais em números
A economista, Isabella Lott, da Subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) do SindSaúde São Paulo, participou do evento e fez um mapa da saúde privada e das empresas transnacionais no Brasil.
Mostram os dados do Dieese que na mesma medida em que caiu anualmente o número de operadoras, aumento o número de estabelecimentos de saúde no país. Para se ter uma ideia, em 2001 havia 1.336 operadoras com beneficiários e em junho de 2018, já são 755.

Ao longo dos últimos anos (2006/2016) cresceu o número de estabelecimentos nos diferentes estados brasileiros, sendo que em 2016 havia 177.542 estabelecimentos de saúde privada. Deste total, segundo Isabella Lott, 89% são microempresas (158 mil, de 1 a 9 trabalhadores); 8% de pequeno porte (14 mil empresas, com 10 a 49 funcionários); 1% de médio porte (2.125 estabelecimentos com 50 a 99 trabalhadores e, por fim, 2% de grandes estabelecimentos (2.855 empresas, com mais de 99 vínculos de trabalho)
O país possui hoje 2.296 milhões de trabalhadores na área da saúde e uma forte presença feminina. Destes 77% são mulheres, ou seja, a cada 4 trabalhadores, três são mulheres. De acordo com o estudo, ainda é alta a rotatividade no setor. “Essa é a notícia ruim, pois mostra que o profissional da saúde continua sendo desvalorizado”, acentua o vice-presidente da Federação, Paulo Pimentel.
Do total pesquisado, 23% possuía vínculo há menos de um ano e mais da metade não havia completado três anos de vínculo. “Para completar o quadro e comprovar que há muito trabalho a ser feito, vimos que os trabalhadores admitidos recebem, em média, 10% a menos que os desligados na Saúde Privada. É um absurdo!”
De acordo com Edison de Oliveira, os estudos apresentados durante a realização do Workshop, nos dias 18 e 19 de outubro, mostram que ainda há um grande potencial de crescimento das empresas que comercializam planos de saúde. “Frente aos números de outros países, ainda é baixo o percentual da população com plano de saúde. E como vemos que a cada ano crescem tanto o número de estabelecimentos como de trabalhadores, sabemos que o potencial é bem alto”, analisa.
Remuneração dos trabalhadores
Os trabalhadores brasileiros da área da saúde que mais tiveram crescimento foram os médicos. Em dez anos (2006/2016), segundo os estudos do Dieese, os médicos obtiveram 201% de aumento nominal, enquanto os demais trabalhadores conseguiram 132% e o pessoal de nível de diretoria e gerência ficou com 117%. Considerando a inflação (INPC), os médicos conseguiram um ganho real de 61%, os demais trabalhadores 24% e os diretores e gerentes, 16%.
Os números são reveladores, na opinião de Edison de Oliveira. Mostram que existe um potencial elevado de crescimento dos salários e das condições de trabalho dos profissionais. “Existe dinheiro, pois todas as empresas obtiveram lucros consideráveis mesmo em momento de crise. Então, é preciso haver mais união dos trabalhadores junto às suas entidades de classe, pois é com esta mobilização e fortalecimento que vamos conseguir avançar e conquistar melhores salários”, frisa ele. Fica o alerta.
