Por Luiz Carlos Vergara Pereira Presidente do Sindicato da Saúde de Franca e Região e diretor de Imprensa da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
A Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo passa a contar com um importante aliado, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O próprio nome já mostra a grandeza da instituição. Sua ação começa em 22 de dezembro de 1955, quando um grupo de 20 dirigentes sindicais de São Paulo decidiu criar um órgão que pudesse assessorar tecnicamente os trabalhadores e também desenvolver atividades de pesquisa e educação sobre os temas relacionados ao mundo do trabalho. Desde então, o Dieese consolidou uma imagem de integridade e respeito perante a sociedade brasileira.
A instalação de uma subseção do órgão junto da Federação tem como objetivo inicial obter um levantamento completo e aprofundado sobre o setor, mais especificamente da saúde privada e filantrópica, representada pela entidade. Entender quem são e quantos são os seus trabalhadores, qual sua disposição geográfica no Estado de São Paulo e conseguir um mapa socioeconômico da categoria contribuirá para as políticas que vamos definir como metas de ação em cada base sindical.
A Federação tem uma tradição positiva no cenário sindical brasileiro. Foi âncora do Projeto Educação na Saúde (PES), que, entre 1996 e 2000, profissionalizou perto de 20 mil trabalhadores ativos em nível técnico. Uma ação que evitou o desemprego em massa, não apenas no Estado paulista, mas em todo o território brasileiro, visto que outros Estados, como Minas Gerais, e até o próprio Governo Federal assumiram a proposta de profissionalização dos atendentes de enfermagem para o nível de auxiliares.
Seu exemplo e visão são componentes que permitiram dar outra importante contribuição ao País. Foi uma iniciativa da Federação que possibilitou a criação da Norma Regulamentadora nº 32 , a NR-32, a primeira legislação específica para a saúde e segurança na área da saúde.
Esse espírito pioneiro, aliado a um órgão técnico e ao respeito do Dieese, devem trazer subsídios para novas batalhas. A unificação das lutas e das forças de dirigentes sindicais e trabalhadores da saúde são o caminho para novos avanços necessários para o setor da saúde.
Os trabalhadores buscam pela inovação e sabem que podem confiar naqueles que foram capazes de elaborar um dos maiores projetos profissionalizantes que o País já teve e que poderá repetir a dose, criando um projeto político que mobilize todos: dirigentes sindicais e trabalhadores.
Sabemos que uma das necessidades deste coletivo nas questões da vida social é o crescimento dos salários. Nenhuma outra categoria profissional sofre mais com a má distribuição de renda que a área da saúde. Vítima de uma visão míope, na qual o médico é sempre o salvador da pátria, enquanto o profissional não passa de um abnegado e benemérito auxiliar, vimos ao longo da história crescer o espaço de ganhos entre os primeiros e os segundos. Este abismo deve ser encurtado de maneira que prevaleça o equilíbrio. O resultado desta conquista será bom para todos.
Nós, da Federação, já demos o primeiro passo nesse sentido. Levar conhecimento e educação para os trabalhadores faz parte desta missão. A bandeira salarial é a outra ponta que vai permitir o alcance das metas.
Também nesse quesito, ter um núcleo do Dieese em nossa entidade contribui sobremaneira para os resultados, já que o órgão poderá dar importantes subsídios para os sindicalistas, atendendo, assim, a uma demanda urgente e necessária. E nossas lideranças têm competência para alcançar estes objetivos. Afinal, já conquistou outros.