Final de ano sem saúde e sem trabalho
O final de ano foi triste para os trabalhadores da saúde. Sem perspectivas de receber salários e 13°, recorreram ao Judiciário que, por sua vez, está inchado com as centenas de milhares de processos, fazendo com que estes trabalhadores esperem, muitas vezes, por praticamente um ano para a primeira audiência.
E olha que tentamos de tudo, desde as já tradicionais mesas-redondas até a recém-criada Conciliação Pré-Processual do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, que em alguns casos surtiram efeito. Porém, ao descobrirem a não obrigatoriedade de cumprir aquelas tentativas de pré-processual, muitos dos acordos ali firmados foram descumpridos, trazendo mais uma decepção aos trabalhadores, que, apesar do amor à profissão, caminham em direção à greve, última tentativa de recuperar o que lhes é devido.
Na base do Sindicato da Saúde de Sorocaba, as greves se sucederam em uma escala jamais vista e sempre pelos mesmos motivos: não pagamentos de salário e 13º e também pela falta de condições de trabalho. Problemas que, invariavelmente, acabam atingindo aqueles que nada têm a ver com os problemas criados pelos gestores de todas as esferas e chegam a ferir direitos humanos, como foi o caso dos pacientes psiquiátricos do Hospital Vera Cruz de Sorocaba, que é o grande “polo de desinstitucionalização”, a menina dos olhos dos grupos antimanicomiais e do Governo Federal. O hospital chegou a fornecer apenas “sopas” como refeições principais, e ao cúmulo de funcionários, que também ficaram sem refeição, dividirem o seu almoço ou jantar com alguns pacientes.
Que luta é esta? Que política é esta que segregam seres humanos que na sua grande maioria nem sabe por que está lá, e chegam ao cúmulo de alimentá-los com sopas, sem serviço de médicos 24 horas, e com uma limpeza terceirizada reduzida ao extremo?
Além de tudo isso, os pacientes e funcionários são obrigados a trabalhar e a conviver com fezes, sangue e todo tipo de sujeira. Neste mar de lama só se salvam os trabalhadores, que a despeito de todos os problemas, são os que carregam essas entidades nas costas.
Sem contar as Santas Casas de todo País que vivem o pior momento da sua história. Muitas fechando, outras paradas como aqui na nossa base territorial, com greves em quatro cidades diferentes, incluindo a Santa Casa de Palmital que, no momento, que eu escrevia este artigo, completava 50 dias de greve, sem contar que o presidente deste estabelecimento de saúde é o presidente da Federação das Santas Casas do Estado de São Paulo. Até o presente momento, a Santa Casa citada é a que mais tempo permanece em greve no Estado.
A saúde brasileira está na UTI e, sem querer ser pessimista, a tendência é piorar, pois as políticas voltadas à saúde nos apontam para este horizonte.
A saúde brasileira está na UTI e, sem querer ser pessimista, a tendência é piorar, pois as políticas voltadas à saúde nos apontam para este horizonte.