União de sindicatos para um mundo melhor
Em termos globais, propaga-se o pensamento único, estigmatizado na ideologia capitalista, agora chamada de neoliberal, como única opção possível não só local, mas global (embora parcialmente colocada “em xeque” com a recente crise do capitalismo mundial).
“Não há sociedade, só indivíduos”, certa vez disse Margareth Thatcher, uma das porta-vozes do neoliberalismo na Inglaterra. É o individualismo levado às últimas consequências, e assim, na medida em que o capital se reestrutura, a classe trabalhadora se fragiliza e caminha perigosamente para a desestruturação enquanto classe. Mas não foi apenas a composição da classe trabalhadora que se alterou. A própria subjetividade, o modo de ver o mundo dos trabalhadores, transformou-se, acontecendo mudanças radicais de mentalidades alteradas para o individualismo e não mais coletivos. Alienação e individualismo exacerbados vão minando os ideais de solidariedade e fraternidade entre os homens, com reflexo direto e imediato na participação sindical.
No que diz respeito à categoria trabalho, destaco a necessidade de se resgatar sua centralidade e importância na vida humana, elemento fundamental na constituição do ser social. Sem nenhuma vergonha, pudor, nem sequer necessidade de justificativa prévia, impõe-se a todos os países a observância quase cega a tais necessidades, reais ou criadas, de tal mercado. E, em nome de tal mercado, políticas econômicas são guiadas e direcionadas, deixando em segundo plano – para não dizer em último – as políticas sociais, como saúde, seguridade, educação, etc.
No Brasil, há uma grande distância entre a lei e a realidade, ou seja, há uma grande quantidade de leis muitas vezes avançadas, mas que não se fazem reais no dia a dia. A Constituição Brasileira é exemplo de um diploma jurídico extremamente avançado, mas que contém diversas normas constitucionais que não alcançam reprodução no âmbito social. A situação se revela mais grave na medida em que não houve no Brasil um efetivo Estado de Bem-Estar Social, de maneira que a ineficácia das normas causa um impacto mais significativo para a seguridade social dos trabalhadores. Ainda em termos ideológicos, a própria noção de direitos sociais se altera. Direitos, que são fruto de lutas e conquistas, passam a ser assumidos como direitos consumíveis da maneira mais rápida possível.
É preciso resgatar, pois, o conteúdo ético do trabalho, que não se limita ao enfrentamento básico das necessidades humanas, mas também em seu papel de inclusão social e de elemento de construção da identidade humana, da sociabilidade e edificação cultural.
É necessária a preocupação com os trabalhadores informais, desempregados, precarizados, temporários e outros, devendo o sindicalismo buscar formas de pressão e disputa que tenham efetividade em um mundo do trabalho que se transformou e se transforma a cada dia, não podendo ficar preso às amarras das formas de luta tradicionais.
A globalização, como se vê, é uma ideologia, pois faz com que todas as partes do mundo acreditem que determinado interesse, que passa a ser dominante, é o interesse de todos os Estados, quando, em verdade, só interessa a determinado número deles. A globalização, ao impor a privatização das empresas públicas, o fim das políticas de bem-estar social e a desregulamentação dos mercados, atenua a soberania nacional, vinculando a política econômica dos países aos ditames dos investidores estrangeiros, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No que concerne às propostas, não estão sendo tomadas, pelas centrais, com a dimensão contestatória ao capital. De qualquer forma, as centrais assumiram a abertura a outros grupos além dos trabalhadores com vínculo formal, aproximando-se dos movimentos sociais e buscando uma atuação internacional, propostas estas já representativas de um grande avanço ao movimento sindical. Entretanto, falta um projeto societário comum que, de fato, unifique as lutas das classes subalternas, ultrapassando as demandas tradicionais relacionadas aos interesses econômicos.