Se a reforma da Previdência for aprovada, um em cada cinco brasileiros vai morrer trabalhando
Trabalhar até morrer. Esta possibilidade voltou a ser assunto na mídia quando o presidente da República em exercício, Michel Temer, passou a defender uma idade mínima para a aposentadoria. Seria 65 anos agora, para quem já está na ativa. E 70 anos para quem vier a ingressar no mercado de trabalho. Uma proposta como esta vai massacrar ainda mais os trabalhadores.
A mídia noticiou que “um em cada cinco brasileiros morre antes de atingir os 65 anos, idade que pode se tornar a mínima para a aposentadoria no Brasil tanto para homens como para mulheres”. Ou seja: muitos não vão se aposentar nunca. Exceto Michel Temer, que se aposentou aos 55 anos de “labuta”.
Os números que levam a pensar que um a cada cinco brasileiros vai morrer trabalhando são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e servem para o Ministério da Previdência para estabelecer o fator previdenciário e achatar a aposentadoria de todos os brasileiros.
Em alguns Estados do Brasil, 12 para ser exato, a expectativa de vida masculina fica abaixo dessa linha de 70 anos: quatro do Norte e oito do Nordeste. No resto, pouco se vive em média mais de 70 anos. Ou seja: quem conseguir se aposentar vai curtir pouco essa fase da vida.
A proposta do Temer que está por vir vai penalizar ainda mais o trabalhador. Hoje, é possível se aposentar com 35 anos de trabalho (homens) e 30 (mulher), mas por causa do fator previdenciário quem aposenta mais cedo perde a maior parte do valor da aposentadoria.
Outra opção, pela fórmula 85-95, eleva o valor do contracheque, mas em compensação adia a aposentadoria até muito mais tarde. Nenhuma fórmula é benéfica, principalmente para quem começa a trabalhar cedo.
No setor da saúde, com jornadas duplas e triplas, o trabalhador vai morrer de tanto trabalhar. Quem trabalha 30 anos numa dupla jornada é como se trabalhasse por 60 anos. Isto é escravidão. Não dá para aceitar.
Por isso, a Federação dos Trabalhadores da Saúde, por meio da UGT (central à qual somos filiados), tem se manifestado contrário a esta falsa reforma previdenciária. Se o governo precisa de mais dinheiro para pagar os aposentados, que combata a sonegação e cobre dos setores que se beneficiam com isenções de impostos.
Vai trabalhar, Temer! Porque na saúde trabalhamos muito e não temos o devido respeito do País.