O trabalhador tem que 'gritar' se quiser ser ouvido
No dia 4 de julho, realizamos duas assembleias com os trabalhadores para tratarmos da convenção coletiva que o setor patronal se nega a negociar e nas duas, pudemos interagir e interpretar os vários sentimentos daqueles trabalhadores que convivem há anos com as mazelas da saúde, que torna a vida deles uma incerteza no amanhã.
Percebemos naqueles trabalhadores, que existem aqueles que, mesmo sem participar das lutas, criticam a ação do sindicato e infelizmente acabam contribuindo com o fortalecimento daqueles que, de certa forma, tornam a vida desses trabalhadores um “sufoco”.
Há também aquele trabalhador que tem vontade de participar das nossas assembleias, mas sai do plantão e corre para outro hospital, o que inviabiliza estar presente, além daqueles que se escondem por medo, tamanha é a pressão exercida sobre eles. Mas dos que participaram, 100% se mostraram revoltados com o pouco caso por parte da prefeitura, das organizações sociais e dos sindicatos patronais, que se apressam em fazer comerciais falando bem da saúde, tentando tapar o sol com a peneira, e ao mesmo tempo colocando o trabalhador na linha de frente, tendo que explicar a falta de tudo, em muitos momentos.
Os trabalhadores de forma em geral são o para-raios de uma empresa, pois eles são os primeiros a receberem as críticas, que, infelizmente, chegam por meio de agressões físicas e na nossa profissão, elas são mais ostensivas, pois quem as faz está enfermo ou com um parente nessas condições.
Os trabalhadores da saúde precisam melhorar a sua autoestima, precisam sentir a sua importância para a sociedade, precisam reagir e gritar. Estão sendo sufocados, adoecendo, por conta dessa pressão, dessa incerteza, dessa falta de respeito para com o profissional da saúde, que em uma situação normal já vive de sobressaltos, pois a tênue linha da vida e da morte convive com eles nos plantões. Imaginem então, trabalhar em um grande hospital, onde muitas vezes improvisando para dar conforto ao paciente, conviver com terceirização, que explora a mão de obra do trabalhador, com profissionais temporários que, sem perspectivas, já entram com data para sair, e, principalmente, não ter certeza do que vai ser sua vida profissional no dia seguinte.
Para aqueles que não foram porque criticaram, aqueles que não foram porque tinham que ir para outro emprego, para aqueles que não foram por medo de represálias, mas, principalmente, para aqueles que foram e deram suas caras à tapa e registraram suas presenças, deixou a certeza de que no fundo todos estão indignados e a indignação é o principal sentimento para começarmos a mudar e a exigir respeito, pois nós, trabalhadores da saúde, merecemos...Vamos a luta companheiros!