A importância da amamentação nos primeiros anos do bebê

Por Vera Lúcia Salvadio Pimentel, Presidente do Sindicato da Saúde de Bauru e Região e diretora arquivista da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de setembro, 2016

 Não se pode negar que o leite materno é essencial e indispensável para o recém-nascido. Estudos demonstram que nos seis primeiros meses de vida a criança deve receber exclusivamente o leite materno, que é composto de 50% de teor calórico, ácidos graxos poli-insaturados, vitaminas A, E, C e eletrólitos. É por este rico alimento que a mãe transfere ao bebê os anticorpos responsáveis por promover a defesa do organismo.

A saúde da mãe e do bebê é tão importante, que em 11 de maio deste ano, a presidente afastada Dilma Rousseff sancionou a Lei 13.287, que proíbe a empregada gestante ou lactante de exercer atividades em locais insalubres, devendo ser transferida para local salubre. Com isto, a CLT passa a vigorar acrescida do artigo 394-A, que diz: “A empregada gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, de quaisquer atividades, operações ou locais insalubres, devendo exercer suas atividades em local salubre.”

Resta saber agora como ficam as empregadas na área da saúde, onde os locais de trabalho são, em sua quase totalidade, insalubres. Será a lei aplicada pelos patrões? Antes de tudo é preciso cautela e muita negociação entre os sindicatos e a classe patronal para garantir que a lei seja aplicada em sua plenitude e para que não seja utilizada como pretexto para a diminuição da contratação de mão de obra feminina.

Daí a importância da conscientização de todos quanto ao bebê ser amamentado por pelo menos os seis primeiros meses, pois o leite materno é essencial e ajuda muito na diminuição das doenças infantis e no desenvolvimento saudável da criança. Este reconhecimento irá contribuir para que haja entendimentos entre empregados e patrões quanto à aplicação dos direitos reconhecidos por esta lei que protege os interesses da mulher trabalhadora.

A lei é importante, porque garante proteção ao bebê seja dentro do útero materno ou durante sua amamentação, em relação às doenças decorrentes do contato da mãe com agentes insalubres de seu ambiente de trabalho. É preciso que os patrões entendam que terão que preservar a saúde dos bebês, concedendo os direitos às empregadas, sabendo que com esta medida terão muito menos afastamentos de suas empregadas para cuidar da saúde de seus filhos quando forem maiores. Eles ficarão menos doentes se forem amamentados adequadamente na tenra infância, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).