Aumento da expectativa de vida e sua influência na aposentadoria

Por Aristides Agrelli Filho, Presidente do Sindicato da Saúde de São José do Rio Preto e Região e 1º tesoureiro da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de julho, 2016

 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em dezembro do ano passado boas notícias sobre a expectativa de vida no Brasil, que cresceu para 75,2 anos em 2014. Este número atualizado sobre o tempo de vida médio dos brasileiros poderia ser um motivo de comemoração para nós se não fosse pelas notícias envolvendo as aposentadorias, as quais vão ficando cada vez mais achatadas.

O País terá uma população de idosos vivendo por mais tempo, porém especialistas destacam a falta de políticas públicas específicas para o novo perfil da população. Logo, o cenário da terceira idade se tornou preocupante ao sistema previdenciário, que precisará de atenção especial do Legislativo e do Executivo para não desencadear um colapso financeiro.

O fator previdenciário é considerado o grande vilão quando o trabalhador decide requerer sua aposentadoria, devido à diminuição que provoca no valor do beneficio previdenciário. Em contrapartida, com o aumento da expectativa de vida, elevará o aumento das parcelas a serem pagas, já que o trabalhador está vivendo mais.

Com isso, o sistema previdenciário se encontrará em difícil situação e não aguentará pagar a conta dos aposentados, pois, com a expectativa de vida aumentando e a estimativa da família brasileira diminuindo, a classe trabalhadora não será suficiente para que o governo arrecade recursos para o efetivo pagamento dos cerca de 32 milhões de aposentados no Brasil. Aumentando o tempo de contribuição, postergará a idade mínima para que o trabalhador tenha direito de começar receber o benefício.

Os 130 milhões de cidadãos brasileiros que atualmente fazem parte da população economicamente ativa (PEA) vão se tornar 144 milhões até 2020, uma alta de mais de 10%, o que significa um aumento de 15 milhões até 2020. Por outro lado, até 2020, o Brasil ganhará 4,9 milhões de aposentados.

Com base nos dados do IBGE, a PEA praticamente vai parar de crescer a partir de 2020, pois o número de pessoas economicamente ativa será praticamente o mesmo de cidadãos que sairão. O volume de aposentados, por outro lado, vai parar de crescer.

Portanto, a alta da expectativa de vida e o cenário de incertezas que vivemos na política e na economia irão prejudicar justamente aqueles que trabalharam duramente para ter uma vida melhor.