Pilantroduto ou Operação Caça-rato?

Por Erivelto Corrêa Araújo, Presidente do Sindicato da Saúde de Araçatuba e Região e 2º vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de julho, 2016

 Sempre que a Polícia Federal e/ou Ministério Público deflagra uma operação (procedimento) para investigar corrupção, desvio de dinheiro público e outras coisinhas mais, eles batizam ou criam um nome fantasia para a operação: Mensalão, Valerioduto, Zelotis e a famosa Operação Lava-Jato.

Coincidência de nomes ou não, porém seguindo a trilha, estamos simplesmente “sugerindo” que as autoridades competentes investiguem a real destinação do dinheiro público, repassado para as instituições ditas filantrópicas (Santas Casas e outras) a título de auxílio, subvenção, subsídio, para construção, reformas, equipamentos, etc., cuja operação pode ser chamada de Pilantraduto ou Operação Caça-rato.

Vocês se lembram do Valerioduto? Era o canal (duto) de escoamento do dinheiro do Mensalão (banqueiro Marcos Valério) e Lava-Jato (sistema de lavagem rápida e gigante de dinheiro da Petrobras), então Filantraduto ou Pilantraduto é o canal de captação e desvio de dinheiro público entregue de mão beijada para as filantrópicas ou pilantrópicas, e Operação Caça-rato é para pegar a turma que está deitando e rolando em cima deste dinheiro. E a saúde?

A importante filantropia na verdade está sendo erroneamente interpretada pela imensa rede hospitalar que costumeiramente utiliza de forma escancarada o dinheiro que vem do governo. Aliás, este dinheiro é nosso, que pagamos impostos mais caros do mundo. Por isso, a tão necessária reciprocidade deveria ser encarada com mais responsabilidade.

Prestem atenção: será mera coincidência que quando de construções ou reformas nessas instituições o período coincide com construção ou compra de imóveis (particulares) por membros da diretoria (provedores, tesoureiros ou seus parentes: filhos, irmãos, cunhados, etc.), ora clínicas para filhas, ora escritórios de advocacia para filhos ou outros “aproximados”. Será mera coincidência?

A origem e o ideal da filantropia são maravilhosos, tipo fazer o bem sem olhar a quem; ajudar e socorrer os mais necessitados, isso quando da fundação destas instituições, principalmente as Santas Casas, porém, atualmente, muitas estão sob o domínio dos falsos filantropos. Para ser mais exato estão nas mãos dos “pilantropos”, que estão em busca de benefícios próprios, normalmente usando laranjas, além de “empoleirarem” parentes e amigos dentro da empresa e sempre em cargos de chefia, ou seja, bons cargos e salários. Afinal de contas nestes casos vale o provérbio: “Para os amigos tudo...”

 É a saúde? A deles, com certeza, vai muito bem. Eis aí o suprassumo da mamata, pega-se dinheiro público, constrói, equipa, desvia e ainda vende o serviço para o governo (SUS), ou seja, nós pagamos em dobro pelo atendimento.

É necessária urgentemente uma vigília pela dignidade. Do jeito que está não há filantropia e sim uma “pilantropia” generalizada.

Portanto que tal uma Operação Caça-rato neles?