Hospitais psiquiátricos têm solução?

Por Milton Carlos Sanches, Presidente do Sindicato da Saúde de Sorocaba e Região e diretor de Assuntos Parlamentares da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de julho, 2016

 A crise que o Brasil vive chegou forte na saúde, que, aliás, nunca esteve bem. Ela passava pelas entidades filantrópicas como uma nuvem negra a assombrar estas entidades, que, além do financiamento escasso, tinham e têm que conviver com gestões desastrosas que, invariavelmente, as levam a um estado de falência total,  levando o poder público a fazer intervenções caríssimas e sem ‘resolutividade’.

Mas com essas entidades já estávamos acostumados e preparados para o enfrentamento ou parcerias para não permitir que elas fechassem as portas, o que, infelizmente, nem sempre foi possível e muitas delas fecharam, trazendo prejuízos enormes para a população carente.

Mas o que não poderíamos imaginar era ver hospitais psiquiátricos fechando as portas por falta de recursos financeiros e colocando milhares de trabalhadores nas ruas e transferindo pacientes que precisam de atendimento para outros hospitais ou encaminhando de volta para a família. 
É bom lembrar que esses hospitais se arrastam há mais de 15 anos com falta de recursos, mas continuaram sobrevivendo, mas parece que os governantes não enxergam o problema de que pacientes com transtornos mentais precisam de atendimento especial e nem sempre podem viver em sociedade.

Temos exemplo também de hospitais particulares sólidos virem até o sindicato, propor redução de salário em torno de 30% sem nenhuma contrapartida, como a redução da carga horária, por exemplo, ou até mesmo o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Simplesmente alegam que é pela manutenção do emprego, mas antes de procurarem o sindicato já tinham aterrorizado os trabalhadores com o fantasma da demissão.

Um desses hospitais a que refiro é de uma Unimed bem sucedida, que ao sentir os ares de uma crise anunciada, vira sua metralhadora para o trabalhador, tentando reduzir as perdas de faturamentos, vindo com uma proposta absurda de redução de 30% nos salários dos trabalhadores.

Isso é apenas uma amostra do que iremos enfrentar este ano. Fica aqui uma alerta a todos os sindicatos da Saúde do Estado de São Paulo, pois se a moda pega, as dificuldades de uma boa negociação nesta campanha salarial será bastante complicada.