Mais participação e união dos trabalhadores são a chave para garantir direitos

Por Vera Lúcia Salvádio Pimentel, Presidente do Sindicato da Saúde de Bauru e Região e diretora arquivista da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de julho, 2016

 Estamos cansados de ouvir falar sobre corrupção e assistir atônitos a noticiários que mostram a farra dos políticos usando o dinheiro público. Notamos que a corrupção não é exclusiva do Partido dos Trabalhadores (PT), mas que está presente no DEM, PSDB e outros tantos partidos que tiveram seus nomes avacalhados nos últimos meses. Os estragos causados pela atitude destes corruptos têm uma extensão incalculável e mexem com a vida de todos os trabalhadores.

Um exemplo claro disso é a estagnação da nossa economia, que desde 2015 vem despencando, enquanto que a inflação sobe e empobrece quem trabalha, incansavelmente, para gerar riquezas para este País. A mídia não diz, mas são os trabalhadores que acabam pagando a conta ocasionada pelos reflexos da corrupção.

Com tantas notícias ruins, como fazer os trabalhadores acreditarem nos organismos sociais e políticos, entre eles os sindicatos - a base política do País?  Isto é ainda mais difícil, porque centenas de políticos estão onde estão porque foram eleitos com o apoio de entidade sindicais.

Diante de tanto descrédito, a pergunta é: Como fazer a sociedade respeitar as entidades sindicais? Como fazer com que os cidadãos acreditem que estas entidades são de extrema importância para equilibrar as relações entre capital x trabalho?

Precisamos repensar a nossa função social e buscar um meio para conscientizar os trabalhadores sobre a importância que estes têm na estrutura política do Brasil.

Precisamos nos unir para mudar a imagem das entidades sindicais, aumentar a participação dos trabalhadores e com isso garantir seus direitos.

Não adianta fazer campanhas grandiosas de sindicalização se não atacarmos o centro do problema – que é convencer os trabalhadores sobre a importância do movimento sindical. Precisamos fazer com eles entendam que o movimento sindical pode mudar a história, como já mudou. Esta participação só virá com a mudança de postura dos líderes.

Quando o real interesse dos dirigentes sindicais for a defesa do direito, a conquista de benefícios e a proteção do trabalhador, estaremos dando os primeiros passos para esta mudança.

Se sindicato somos nós, precisamos buscar uma resposta rápida para garantir a participação dos trabalhadores, para fazer com que todos os cidadãos entendam que as entidades sindicais são necessárias no mundo capitalista e que sem elas os trabalhadores podem descer à condição de escravos.

Para isso, penso que é preciso usar as ferramentas que temos para conscientizar os trabalhadores e com isto levá-los a valorizar a entidade que os defende.

Mudar a imagem e traçar um novo rumo para o movimento sindical são ações urgentes e que podem interferir até mesmo nas ingerências da Justiça, que teimam em enfraquecer as entidade sindicais, subtraindo contribuições e dando sentenças que levam entidades ao fechamento de portas.

Precisamos convencer os trabalhadores de que a união é a chave que vai trancar as portas dos desmandos de todos os poderes, porque sem a participação dos trabalhadores nossa luta é vã.