Novo ciclo para os profissionais da saúde. Sonhar não custa nada

Por Erivelto Corrêa de Araújo Presidente do Sindicato da Saúde de Araçatuba e Região e 2º vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de fevereiro, 2015

 Ciclo é uma série de fenômenos que se sucedem numa ordem determinada. É o período ou a revolução de certo número de anos passados, em que ocorrem fatos históricos importantes a partir de um acontecimento, seguindo uma determinada evolução. Existem vários ciclos, entre eles o lunar, o solar, o das águas, mas no Brasil, um está em pleno vigor e não tem prazo para terminar. É o ciclo da corrupção.

O ano de 2014 foi minado por vários acontecimentos extraciclos, notadamente neste País. Houve de tudo um pouco - Copa do Mundo, eleições e mensalões. Os mais trágicos ficaram por conta da histórica derrota da nossa seleção - 7 a 1 - contra a Alemanha. Em seguida, vieram as eleições conturbadas pelo elevado número de promessas dos candidatos e, para finalizar, surgiu a Operação Lava Jato, com o despertar de dezenas de corruptos que até então dormiam em berço esplêndido.
2015 aí está. É o começo de um novo ciclo, principalmente para os políticos que iniciarão novas legislaturas. Entretanto, na área da saúde não há nenhum ciclo previsto, notadamente para os profissionais.
Pelo andar da carruagem, pela decolagem do teco-teco, pelo percurso traçado para a tartaruga e o bicho-preguiça, o que está projetado para este ano é a mesma coisa, ou seja, tudo continuará parado no tempo e no espaço. Não há, como nos anos anteriores, nada de novo. Vale lembrar, ou reportar que em 2012, a idéia direcionada a um novo ciclo, denominada saúde em dobro, foi amplamente divulgada. Porém, nada vezes nada foi concretizado. O que de fato aconteceu foi a surpreendente queda no número de trabalhadores na nossa área. De lá para cá não houve praticamente nada de positivo, nem mesmo a propalada jornada de trabalho de 30 horas semanais foi aprovada e, mais que isso, os salários foram gradativamente defasados, não acompanhando o ritmo acelerado da inflação.
Falar sobre a possibilidade de um possível novo ciclo para os profissionais da saúde é o mesmo que querer que chova no molhado. É ver o presente e reportá-lo para o passado, não deixando de indagar o porquê da não aprovação das 30 horas semanais, o não cumprimento total da NR-32 e quando os patrões deixarão de criar as mais esfarrapadas desculpas na hora de novos acordos coletivos de trabalho.
No momento, torna-se difícil opinar sobre um novo ciclo para os trabalhadores. O negócio é continuarmos acreditando em milagres. Porém, apesar do descaso dos políticos que não estão nem aí com um possível surgimento de um ciclo positivo para os profissionais da saúde, o movimento sindicalista continuará caminhando em busca de novas conquistas para assegurar a renda e o emprego a milhões de trabalhadores. 
A luta continua por melhores salários, condições de trabalho, jornada de 30 horas semanais, contra a terceirização e o assédio moral. Junte-se a nós nesta batalha permanente. Esta batalha é de todos nós.
Em tempo: E por falar em novo ciclo, não se esqueça de lembrar o seu patrão que quem trabalha no dia 31 deve receber o dia trabalhado. Na região de Araçatuba, mais de 4 mil trabalhadores já recebem o dia 31. Faça a sua parte. A nossa já fazemos há muito tempo, porque, como disse Francis Bacon: “Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideia para mudar!”