A força política dos trabalhadores em saúde

Por Luiz Carlos Vergara Pereira Vice-presidente do Sindicato da Saúde de Franca e Região, diretor de Imprensa e Divulgação da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo e vereador da Câmara Municipal de Franca/SP
Publicado: 01 de fevereiro, 2015

 Personagem principal da qualidade da saúde oferecida aos cidadãos brasileiros, o profissional da área carece de alguns reconhecimentos básicos que exigem qualquer categoria profissional. 

Nesse sentido, ainda há longo caminho a percorrer em relação à força política que a categoria merece e precisa ter. Lacuna importante já é preenchida com a representatividade oferecida pelos sindicatos afiliados à Federação pelo companheiro Edison Laércio e que tem, em sua diretoria, representantes de todo o Estado de São Paulo.
Mas, no Parlamento, ainda é tímida esta participação. Não porque aqueles que são da classe não atuam ostensivamente nas Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional, mas, sim, porque, pelo tamanho e pela importância de nossa categoria, são necessários cada vez mais representantes de diversos segmentos e, ao mesmo tempo, com ideais cada vez mais abrangentes e progressistas.
Quando a categoria realmente se conscientizar de que representatividade se faz, além das entidades sindicais, com elaboração de leis, discussões dinâmicas e objetivas a respeito dos anseios dos trabalhadores em saúde, teremos avançado naquilo que é sonho da maioria das famílias que compõe esta valorosa classe. 
Entre as pendências e injustiças que rondam os trabalhadores da saúde está a falta de uma política salarial padronizada em plano nacional e plano de carreira.
Vejamos, por exemplo, a tramitação das propostas que tratam da fixação do piso nacional para a enfermagem e da jornada de trabalho de 30 horas para os profissionais de saúde. Trâmites burocráticos, explorações políticas e resistências do governo impedem que tais propostas andem. 
A efetivação do piso nacional é uma proposta ao que, tudo indica, depende da mobilização de nossa categoria em busca de pressão e apoio aos congressistas a quem cabe exigir dos governos o seu cumprimento. Esta realidade só se concretizará se houver mobilização dos trabalhadores, além de muita pressão sobre os parlamentares.
Em nossa área de atuação, temos trabalhado a resolução de questões ligadas aos profissionais, como a aplicação das 30 horas de jornada, como já definiu o Governo do Estado para seus servidores. Dinheiro para a saúde existe e o governo, embora não reajuste a tabela do SUS, investe milhões em hospitais, laboratórios e clínicas, esquecendo e cometendo grande injustiça com os trabalhadores, que são os responsáveis diretos pela qualidade dos serviços prestados aos usuários. Nós, profissionais da saúde, estamos cansados de esperar. Já passou da hora de o governo acordar para esta realidade que não pode mais ser ignorada: Piso nacional já! Plano de carreira e reconhecimento já!