A importância da participação dos trabalhadores da saúde na política brasileira
Por Luiz Carlos Vergara Pereira Presidente do Sindicato da Saúde de Franca e Região e diretor de Imprensa e Divulgação da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Nas primeiras décadas do século 20, grupos de trabalhadores urbanos, juntamente com os sindicatos exigiam representação de seus interesses juntos aos patrões e ao Estado, e assim, aumentaram os movimentos de lutas organizadas, requerendo a legitimação de seus direitos.
Neste processo, os trabalhadores estavam submetidos a explorações e, para tanto, existiam interesses comuns. Sendo assim, em meio a este conflito da sociedade capitalista, os trabalhadores se constituíram como classe, assim como os sindicatos da Saúde. Exigiam salários maiores, jornadas menores e condições de trabalhos melhores, sendo que inexistia legislação trabalhista como hoje. Com união, tiveram várias conquistas, no entanto ainda faltam benefícios, como o piso nacional e a redução de jornada de 30 horas.
História
A partir da Revolução de 1930 houve mudanças significativas no movimento operário. As mudanças na política econômica reorientaram paulatinamente investimentos e prioridades para o setor urbano-industrial, sem ter qualquer grande ruptura com os interesses da grande lavoura.
De 1964 a 1985 perdurava no Brasil o regime militar, caracterizado pela falta de democracia, supressão dos direitos constitucionais, etc. Porém, no final da década de 1970 se inicia no País um amplo processo de reestruturação da sociedade. Este período registra o enfraquecimento da ditadura e a reorganização de inúmeros setores da sociedade civil, que voltam a se manifestar publicamente, dando início ao processo de redemocratização e fortalecimento do movimento sindical, que representava os desejos dos trabalhadores.
Na trajetória da política pública de saúde é possível identificar a importância da participação social, onde a atuação de todos os envolvidos no processo se faz pertinente. Para a qualificação constante desta política no atendimento às demandas da população, o trabalhador retoma o papel de produtor e agente de seu trabalho, como insubstituível na produção do cuidado em saúde. Dificuldades históricas no reconhecimento do trabalhador e nas condições de trabalho são apresentadas recorrentemente nos documentos das Conferênciase Conselhos de Saúde, demonstrando que o controle social já identificava a importância e reivindicava modificações no ‘status quo’.
Quem representa você, trabalhador?
Mediadora de conflitos e intermediadora das demandas dos trabalhadores, a bancada sindical está sendo ameaçada de ser reduzida na próxima legislatura que será iniciada em 2015. Composta atualmente por 91 membros, poderá no próximo pleito (2014) cair pela metade, caso os trabalhadores e o movimento sindical não tomem providências para mantê-la e ampliá-la, principalmente se o eleitor não se conscientizar e votar em quem o representa. O papel do trabalhador não é apenas apertar o botão da urna de votação e sim se fazer presente junto a sua classe, participar das decisões de sua profissão e escolher corretamente seu representante, pois se o trabalhador ficar alienado, poderemos parar no tempo ou ter um retrocesso quanto nos benefícios conquistados