O aquecimento global e a saúde da população

Por Edna Alves Presidente do Sindicato da Saúde de Jaú e Região e 1ª secretária da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de fevereiro, 2015

 Não é de hoje que se ouve falar em aquecimento global, derretimento do gelo polar, efeito estufa, aumento da temperatura do Planeta, enchentes, aumento no nível dos mares e outros problemas advindos da poluição climática. 

Já se fala disso há mais de 20 anos, desde a ECO-92, no Rio de Janeiro, mas o que mudou de fato no mundo? E, faço mais uma pergunta: o que mudou em benefício dos trabalhadores? Se o temido aquecimento global é capaz de alterar o clima no mundo imagine o que ele é capaz de fazer com a saúde de uma pessoa. 
O assunto voltou à tona no mês de dezembro de 2014 com a realização da Cúpula de Mudança Climática de Lima (COP20). Da reunião em Lima (Peru), envolvendo 194 países filiados à Organização das Nações Unidas (ONU) saiu um documento no qual os países terão até outubro de 2015 para apresentar suas propostas de um novo acordo global para reduzir o efeito estufa. 
Tudo isso é bonito, vira notícia na imprensa, os governos fazem oba-oba e assumem compromissos, mas e daí? No fundo, não passa de jogo de cena. E o efeito estufa e o aquecimento vão continuar afetando as pessoas. E, o que é pior, acabando com a nossa saúde. Somos o elo mais frágil desta ânsia desenvolvimentista. E sofremos com isso, ficamos doentes e, não raro, incapacitados para o trabalho e para a vida. 
A falta de água que tivemos em 2014 é o reflexo do aquecimento global. Chove menos do que antes e nos mata de sede ou chove demais e mata todo mundo afogado. Falta água, aumenta o calor ou sobra enchente. Diante deste clima doido, doenças surgem a todo momento: diarreia, viroses, leptospirose, hepatites A e E, dengue, febre tifoide, cólera e por aí vai. Ficando no aspecto do calor infernal da “estufa” em que vivemos, as altas temperaturas prejudicam a hidratação do ser humano, provocando desde o simples mal-estar, passando pelos ataques cardíacos, até levando à morte os mais sensíveis (idosos, crianças, portadores de câncer e de Aids...). 
Os trabalhadores expostos constantemente ao sol ficam vulneráveis aos raios solares, têm queda de pressão e podem desenvolver câncer de pele. No setor da saúde, boa parte dos companheiros trabalha dentro dos hospitais, exceto os agentes de saúde que visitam as residências. De certa forma, a maioria de nós está livre da exposição ao sol, mas, em contrapartida, sofremos os efeitos de ambientes hostis e, muitas vezes, insalubres por conta de aparelhos de ar condicionado sem manutenção ou descalibrados. 
Em suma, não estamos salvos de contrair doenças provocadas pelo clima desregulado. Diante de tantos riscos à saúde, o trabalhador precisa fazer o que está ao seu alcance em prol do Planeta. Esqueça as autoridades, os “entendidos do assunto” e adote pequenos gestos no seu dia a dia que ajudam a preservar a Terra. Comece com a separação de recicláveis em sua casa, leve esta prática para a firma, clínica ou hospital e motive os companheiros para se engajarem nisto. Gaste mais sola do sapato e menos água. Use o carro e a água de forma racional. Isto não vai mudar o mundo, mas é muito mais do que estes engravatados fazem nas discussões intermináveis com a chancela da ONU.