Por João do Nascimento Carvalho Presidente do Sindicato da Saúde de Presidente Prudente e 2º secretário da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Conforme visto nas últimas semanas, a nova emenda do PL 5813/2013 sobre as Santas Casas, enviada ao Congresso Nacional, é uma expectativa para o fim de muitas dívidas e portas fechadas, tendo por objetivo tentar “tirar do buraco” as instituições filantrópicas. É benéfica a visão da nova emenda, porém a lei não pode se esquecer dos verdadeiros instrumentos que fazem estas entidades funcionarem, ou seja, seus trabalhadores.
A crise de uma entidade não afeta somente as contas previdenciárias. Em primeiro lugar, afeta os salários e os direitos de trabalhadores que cumprem sua jornada, a fim de obter reconhecimento e recebimento justo do que lhes é merecido e de direito.
O Congresso Nacional precisa visar, como ponto de partida, o trabalhador. Se a entidade tiver o trabalhador ao seu lado, a chance de uma crise fica menor; o apoio dos funcionários na hora de manter as portas abertas é de extremo valor e definir os funcionários como passageiros principais em um barco é a única forma de continuar remando na hora da crise financeira em uma instituição.
Na hora da crise, a única saída é elaborar propostas que têm como objetivo contemplar a formação do profissional que atua na área, abrindo condições de trabalho na hora da atuação, fazendo com que o trabalhador ande de mãos dadas com a instituição. Se as Santas Casas colocarem em tópico a necessidade de seus funcionários, dificilmente entrarão em crise financeira, pois se elas apoiarem o funcionário em primeiro lugar, o trabalhador irá apoiá-las na hora da precisão.
Reconhecer o valor e a necessidade que um hospital filantrópico tem de seus funcionários é o primeiro passo para a instituição conseguir se manter de portas abertas. Quando falamos em reconhecer funcionários, queremos dizer salários justos e ambientes de trabalho dignos. É hora de o Senado valorizar o profissional das Santas Casas e entidades sem fins lucrativos, pois sem funcionários valorizados e antenados com as novidades da área não se pode exigir trabalho de qualidade.