Por Edna Alves Presidente do Sindicato da Saúde de Jaú e Região e 1ª secretaria da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Quando qualquer cidadão brasileiro precisar de um médico e só lhe restar um estrangeiro, o programa Mais Médicos terá cumprido seu objetivo. Quem está doente precisa de médico, independentemente de sua origem. É melhor ter um estrangeiro do que não ter médico algum. Vivemos e testemunhamos a falta destes profissionais em grandes centros, inclusive em Jaú, uma cidade que se gaba de ser um centro médico de referência. O que dirá de cidades periféricas e de Estados periféricos?
Em alguns casos, pacientes que buscam tratamento via SUS em Jaú só conseguem agendar consultas para muitos meses depois. Por que isso? Porque faltam médicos. Que venham, então, os cubanos ou de qualquer outro país. O que não pode é o cidadão ficar sem atendimento. Ou, o que é pior, ter que recorrer ao pagamento de consultas particulares para ser atendido antes de ser vitimado pela doença.
Apesar das críticas de associações ligadas aos médicos nacionais, o Mais Médicos foi criado para atender à demanda por profissionais e não para tomar lugar dos médicos brasileiros. Os estrangeiros foram chamados para atuar na atenção básica de periferias de grandes cidades e municípios do interior do País. Lugares onde os médicos brasileiros desdenham. Mesmo assim, o estrangeiro só vai ficar com a vaga quando não tiver médico nacional interessado nela.
O apelo a médicos internacionais é uma questão emergencial para o País. O Brasil possui 1,8 médico por mil habitantes. Índice menor do que Argentina (3,2), Portugal e Espanha, ambos com quatro por mil. E, mais grave ainda: em 22 Estados, a média é abaixo do que a média nacional. Cinco Estados têm menos de um médico para cada mil pessoas.
Mesmo em Jaú, por exemplo, uma cidade com 2,49 doutores para cada mil habitantes, faltam profissionais. Concurso da Prefeitura para contratar médicos em 2012 ficou sem candidatos em quatro especialidades: imunologista, alergologista, pneumopediatra e psiquiatra. Em 2013, um novo concurso está sendo feito para 15 especialidades. Será que teremos candidatos ou vamos ter que convocar os cubanos para atender à população?