O povo foi às ruas na condição de cidadãos. E os trabalhadores ainda têm medo?
Por Elaine da Silva Amaral Vice-presidente do Sindicato da Saúde de Franca e Região e secretária-geral da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Em 11 de julho, a população brasileira se uniu e foi às ruas reivindicar um País melhor. Intitulado Dia Nacional de Luta, movimento parecido foi visto pela última vez no período de impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Entidades sindicais e movimentos sociais reclamaram quanto à melhoria na qualidade da saúde, educação pública e do transporte coletivo.
O que se viu em quase todo Brasil foi emocionante. A força do povo e sua revolta quanto aos desmandos e falcatruas realizadas pelo Congresso Nacional. Desde entidades de classe a estudantes se viam diversos problemas nacionais sendo questionados. Com toda esta força demonstrada, serve de exemplo para que nossa categoria se una, saia às ruas e grite pelos seus direitos. Medo? Do quê?
Precisamos ter medo sim, mas do futuro que nos reserva perante a inércia, a má qualidade de trabalho e de vida, a alta carga horária, ao mau salário, ao mau atendimento à população. Este último está intimamente ligado a profissionais bem preparados, mas para isto é preciso que tenham salários condizentes com as exigências da profissão, o que não está acontecendo, já declarou o presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo, Edison Laércio de Oliveira.
É preciso mostrar nossa indignação. Participamos, sim, do movimento em 11 de julho, porém nossa luta não acabou, batalhas ainda teremos muitas para travar, não podemos esmorecer. Não podemos esperar que somente os jovens tomem a iniciativa, devemos também ser exemplo de luta para eles.
Os trabalhadores da saúde têm oportunidade para se mobilizar e mostrar ao governo e aos empresários da saúde que sem salários dignos, jornada de trabalho condizente e condições dignas de trabalho jamais haverá qualidade na saúde brasileira. Exigir do Congresso Nacional a aprovação do Projeto de lei 2.295/2000, mais conhecido como PL 30 Horas, que estabelece uma jornada de 30 horas semanais para a enfermagem e tramita no Congresso há 13 anos. Também é imprescindível cobrar da presidente Dilma Rousseff a promessa feita em campanha eleitoral de defender a implantação do projeto. Assim, como todos os brasileiros, nós, trabalhadores da saúde, estamos cansados de promessas eleitoreiras e de manipulação. É por isto que precisamos continuar lutando com afinco. Vamos exigir respeito e cumprimento das promessas.