Menos politicagem e mais seriedade
Por Erivelto Correa de Araújo Presidente do Sindicato de Araçatuba e Região e 2º vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado São Paulo
O povo e os movimentos sociais continuam esperando, esperando e esperando atitudes de seus governantes e legisladores. Dizem que quem espera sempre alcança. Será verdade?
Temas importantes referentes à saúde estão há tempo no Congresso, mas não saem do papel ou das gavetas, o que é lamentável, principalmente quando já existe a clara visão da necessidade de mudar drasticamente a política adotada para a saúde no País. A começar por financiamento e fiscalização do real uso das verbas públicas na saúde; em especial nas entidades filantrópicas (Santas Casas), Organizações Sociais de Saúde (OSS) e também nos serviços e hospitais públicos. Fiscalizar e prestar contas sim, porque queremos e temos o direito de saber onde estão “enfiando” o dinheiro dos impostos que pagamos.
Triste mesmo é saber que a filantropia vem sendo substituída pela “pilantropia”, ou seja, “fazer o bem e não olhar a quem”, mas isto está virando coisa do passado; agora é a turma do “um pra mim, um pra tu e um pra eu”; turma esta que está tão evoluída na arte que, se bobear, até toma sopa com garfo e colocando as raposas para guardar o galinheiro.
Pensando bem, estamos convivendo em um tempo de muita politicagem e nenhuma seriedade. Haja vista que há algum tempo, o Sinsaúde Araçatuba e Região vem questionando as diferenças trabalhistas que ocorrem entre os trabalhadores dos vários AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) no Estado de São Paulo, a exemplo de jornada de trabalho, salários por função, vale-transporte, cesta-básica, auxílio-creche, etc., entendendo que o Estado remunera igual os mesmos procedimentos (exames, consultas, etc.), independente da localização do AME, seja em Franca ou Andradina. Então por que os empregados são tratados de forma desigual?
Por correspondência registrada (AR), e-mails, etc., fizemos esta pergunta para todos os deputados estaduais, independentemente da filiação partidária, inclusive para os que compõem a Comissão de Saúde da Assembleia (Câmara). Ficamos surpresos com o interesse dos nossos representantes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, quando um deles, e apenas um, requereu, junto ao governador do Estado e secretário estadual da Saúde, informações para responder às indagações do Sinsaúde de Araçatuba.
Portanto, a seriedade está longe de ser assimilada e praticada pelos políticos profissionais, pois o Sindicato se dirigiu a todos com o objetivo de obter explicações plausíveis, e quando apenas um se manifestou, ficaram evidentes a falta de interesse e o descaso dos demais.
Portanto, merece respeito o único dos deputados estaduais que demonstrou interesse, envolvimento e comprometimento com os trabalhadores dos AMEs, o deputado Marco Aurélio, da região de São José dos Campos, eleito pelo Partido dos Trabalhadores. Os demais, não quiseram nem saber, mas, com certeza, continuam devidamente sendo remunerados com o dinheiro de todos que pagam impostos, inclusive os da área da saúde.