Trabalhador motivado gera lucro para a empresa
Por Edna Alves Presidente do Sindicato da Saúde de Jaú e Região e 1ª secretaria da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
É comum ouvir por aí que “fulano tem dom para cuidar dos pacientes”, mas até que ponto o “dom” é capaz de superar a falta de motivação deste profissional por causa das péssimas condições de trabalho? E fica mais uma pergunta: Como motivar o trabalhador da saúde a ponto de fazer de sua força uma mola propulsora de lucro social e financeiro?
O que se vê nos estabelecimentos de serviços de saúde é justamente o contrário. Aviltam-se os salários em vez de motivar o trabalhador com planos de cargos e salários, com adicionais por tempo de serviço e prêmios por produtividade.
Também se castiga o profissional ao lhe impor uma sobrecarga de serviço por conta da redução do quadro de “colaboradores”. Este mau dimensionamento de pessoal leva ao estresse profissional, provoca ansiedade, insônia e depressão, todas as doenças profissionais e que levam ao inevitável afastamento das funções.
Com raras exceções, hospitais não promovem ações que valorizem sua equipe. Com isso, perdem a oportunidade de gerar riquezas nem sempre medidas pelo dinheiro. A boa imagem de uma instituição só se conquista com recursos humanos capacitados e motivados, ou seja, com trabalhadores que “vestem a camisa” em prol do hospital no qual trabalha.
E boa imagem no setor de saúde reflete em ganhos financeiros, afinal um hospital conceituado atrai clientes com potencial para arcar com os altos custos de um atendimento particular. Hospital bom cobra caro de quem pode pagar e, assim, movimenta-se a engrenagem milionária que envolve a saúde.
Pesquisas de especialistas apontam que a produtividade está ligada ao nível de motivação e ao tratamento que esses funcionários da base recebem. São os auxiliares, os técnicos de enfermagem e o pessoal de apoio de um hospital que ficam na linha de frente com o paciente. O modo como realizam esse trabalho no dia a dia reflete na imagem da instituição.
Mas, infelizmente, quase sempre o pessoal da base é esquecido pela administração e não recebe a devida valorização. Os chefões hospitalares preferem investir em si próprios ou nos funcionários do topo, oferecendo-lhes viagens a congressos em capitais, cursos caros, participações nos lucros e outros incentivos que nem sempre garantem o retorno almejado.