Onde estão os leitos psiquiátricos? Nas ruas?

Por Paulo Gondim Richieri Presidente do Sindicato da Saúde de Piracicaba e diretor-procurador da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
Publicado: 01 de abril, 2013

 A principal causa de recaídas e mortes na saúde mental pública é a falta de um atendimento decente. É a falta de respeito para com o indivíduo paciente. É a desassistência.

Os serviços de saúde mental de hoje não têm estrutura. E o mais revoltante é que continuam criando novos CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) como promoção política, para obter vantagens politicamente, pois, infelizmente, os CAPs não têm equipe suficiente e, com os serviços de saúde mental sem equipe suficiente e sem recursos, os usuários desta especialidade são empurrados de serviço para serviço e, nesta desassistência, muitos acabam na rua, na sarjeta, muitos chegam a morrer.
E as propagandas sobre a reforma continuam. Sempre de uma maneira comercial e nada humana e as famílias não estão preparadas para lidar com pacientes que necessitam de tratamento psiquiátrico. Naturalmente, o SUS (Sistema Único de Saúde) deveria garantir condições de tratamento para estes pacientes e também dar  suporte real para os familiares!
É muito fácil fazer um movimento político para fechar leitos e depois largar paciente e família no abandono. Anos atrás falaram do Projeto Saúde da Família e eu pensei que fosse coisa séria. Acreditei que o governo iria dar suporte a todas as famílias, principalmente as que têm dificuldades financeiras e não têm como levar seus familiares para atividades e interação nos locais que prestam serviços de saúde mental, como oficinas, atividades e projetos de reinserção social, que é a parte mais importante do tratamento, trabalhando mente e criatividade. As pessoas sem condições de fazer um tratamento, ficam em casa ou na rua vegetando ou engordando e eles chamam isso de assistência.
Acabar com o atendimento psiquiátrico pode ser um objetivo desejável. Mas isso não se faz voltando as costas para a realidade do País, da qual salta um quadro aterrador a ser enfrentado com uma política de saúde mental responsável, em condições de fazer frente a um problema que leva o drama dos doentes para o interior das famílias ou para as praças públicas. Aumentar o contencioso dos serviços públicos de saúde, com o fim dos leitos psiquiátricos ao invés de atender à demanda atende opções ideológicas e financeiras do Estado, passa ao largo da solução do problema e, desonera responsabilidades.