Quem "Anvisa" amigo é, mas roupa suja se lava em casa
Por Erivelto Correa de Araújo Presidente do Sindicato da Saúde de Araçatuba e 2º vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
A cada dia novos problemas surgem como num passe de mágica na área da saúde e para cada um aparecem as mais descabidas desculpas daqueles que deveriam apresentar soluções. Está virando rotina apelar para o verbo ‘terceirizar’, onde cabe a eles a responsabilidade de fiscalizar e impedir os absurdos, principalmente na área da saúde.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fixou regras para a lavagem de roupas hospitalares em todo o País, abrindo espaço para que empresas particulares assumam a tarefa. É a chamada terceirização, que não tem correspondido aos anseios da população e prejudica os trabalhadores.
A partir de agora, as lavanderias hospitalares terão que seguir regras para garantir a limpeza e segurança sanitária das roupas utilizadas nos serviços de saúde. Conhecidas como unidades de processamento de roupas de serviços, elas são responsáveis por coleta, transporte, lavagem e devolução das roupas para reutilização.
De acordo com a resolução da Anvisa, as unidades que funcionam dentro dos serviços de saúde só podem processar roupas provenientes do estabelecimento. No entanto, o processamento das roupas pode ser realizado fora das unidades hospitalares. Para isso, as empresas terceirizadas deverão ter licença da vigilância sanitária do município.
Embora a Anvisa determine regras para evitar contaminação, a primeira preocupação com a terceirização é que, às vezes, ela favorece tão somente a empresa licitada. A segunda é o fim das lavanderias hospitalares, onde milhares de trabalhadores garantem o sustento de suas famílias nesta função podem perder o emprego.
Por outro lado, será que hospitais e clínicas terão condições de fiscalizar o cumprimento das regras estabelecidas pela Anvisa? Hoje, as lavanderias funcionam anexas às unidades hospitalares e as falhas que, porventura, aparecem são prontamente sanadas. Será que as empresas terceirizadas terão a mesma preocupação ao transportar as roupas? Será que hospitais e clínicas conseguirão fiscalizar o descarte dos materiais contaminados?
Segundo a Anvisa, as roupas sujas dos hospitais devem ser lavadas no próprio local, pois as lavanderias terceirizadas não terão esta responsabilidade, mesmo porque, nelas, são lavadas outras roupas, numa mistura onde a contaminação será generalizada. Roupa suja não se lava em casa?
Outro aspecto importante é a mão de obra especializada. Será que as empresas contratadas terão funcionários qualificados? Afinal, a terceirização deve ser ratificada? Estas indagações devem ser esclarecidas antes das terceirizações, que poderão ser lucrativas para os hospitais, mas prejudiciais para os trabalhadores que ficarão desempregados. Nossa preocupação é com os trabalhadores nas lavanderias e defendê-los continua sendo nossa bandeira. Portanto, chega de terceirização na área da saúde.