Idosos que mudam hábitos depois dos 60 ganham saúde e autonomia, dizem especialistas

Edgar sempre praticou esportes, mas foi depois dos 60 que passou a se preocupar mais com a qualidade do envelhecimento.
Idosos que mudam hábitos depois dos 60 ganham saúde e autonomia, dizem especialistas
Publicado: 01 de outubro, 2026

O aposentado Edgar Frank Walter, 81, começou a cantar em um coral aos 80 anos, depois que um maestro que conheceu por acaso o convenceu a fazer um teste. A nova atividade se juntou a uma rotina que inclui beach tennis, tênis de quadra, musculação, bridge e meditação.

Edgar sempre praticou esportes, mas foi depois dos 60 que passou a se preocupar mais com a qualidade do envelhecimento. "Não adianta ser longevo e ser incapaz ou ter poucas possibilidades de fazer coisas. Eu busco muito manter a longevidade com qualidade", afirma.

No Dia do Idoso, celebrado nesta quinta-feira (1º), a rotina de Edgar ilustra algumas das mudanças que podem ser incorporadas depois dos 60 para preservar a saúde e a autonomia ao longo dos anos.

Para o gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade, mesmo quem não adotou hábitos saudáveis na juventude pode se beneficiar de mudanças feitas depois dos 60, ainda que os ganhos sejam menores do que os de quem cuidou da saúde desde jovem.

"O ganho pode ser menor, mas pelo menos você vai ter força para sair da cama. Não vai precisar de alguém que te arranque de lá", afirma. "Nunca é tarde demais."

O geriatra Leonardo Oliva, presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), coloca a atividade física entre as principais mudanças por ajudar a manter a massa muscular e a capacidade funcional, que tendem a diminuir com o envelhecimento.

A recomendação é combinar exercícios de força, como musculação, aeróbicos, como caminhada e corrida, e de flexibilidade, como alongamento.

O aposentado Álvaro Margarido, 90, já se exercitava, mas incorporou o pilates há dez anos, quando ficou em São Paulo para fazer radioterapia contra um câncer de próstata. Depois, retomou a prática em São José dos Campos, onde vive, e, desde 2020, a combina com musculação duas vezes por semana e caminhadas.

"Eu tenho consciência que, se eu quero chegar aos 100 anos, tenho que me cuidar", afirma. "Às vezes eu acordo cedo com preguiça, mas eu acabo indo. Não falto nunca."

Já Edgar pratica atividade física seis dias por semana, com beach tennis três vezes, uma aula de tênis e dois dias de musculação. "Eu sou o mais velho do grupo de beach tennis e, muitas vezes, sou o que termina menos cansado", diz.

 

Fonte: Folha

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