No segundo dia, Encontro Estadual da Saúde capacita dirigentes sindicais

Dirigentes sindicais de 13 entidades filiadas a Federação estão reunidas até esta quarta-feira, 26, para a capacitação.
No segundo dia, Encontro Estadual da Saúde capacita dirigentes sindicais
Publicado: 25 de agosto, 2026

Organizar a base, estar presente nas unidades de saúde e nas redes sociais e ter a consciência de que a categoria precisa ter um representante que leve suas demandas a todos as instâncias de poder, foram alguns dos ensinamentos traçados neste segundo dia do Encontro Estadual da Saúde, realizado pela Federação Paulista da Saúde, que teve como palestrante, na parte da manhã, o vice-prefeito de Campinas, Wanderley de Almeida, o Wandão. 

Dirigentes sindicais de 13 entidades filiadas a Federação estão reunidas até esta quarta-feira, 26, para a capacitação, que também abordou a implantação da NR-1, CIPA+A e como combater os problemas de saúde mental que se multiplicam entre os profissionais.  A mesa oficial de abertura do segundo dia estava repleta de mulheres, com a presença de Irenilda dos Santos, diretora do SinsaúdeSP, Luara Duarte, diretora de Campinas e Região, Renata dos Santos, diretora do Sindsaúde de Jaú e Região e Maria das Graças Machado, do Sinsaúde de Sorocaba e Região, além de ser dirigida pelo presidente da Federação, Edison Laércio de Oliveira.

Representação da Saúde

Wandão trouxe informações sobre o funcionamento do processo eleitoral e como são formadas as bancadas legislativas, tanto na Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Câmara de Vereadores. “Existem a bancada do agro, a bancada da bala e outras, com deputados eleitos que defendem interesses destes setores. A gente tem eleito representantes com nenhum compromisso, nem de classe, nem de região. Os trabalhadores da saúde, que em São Paulo são mais de 700 mil, podem e devem ter seus representantes no Legislativo”, apontou. 

O político, com mais de 32 anos de experiência, ensinou que a vontade pode fazer a diferença. “Devemos primeiro decidir: eu quero e, depois, eu posso!”. Logo após a palestra, os sindicalistas se reuniram em cinco grupos para debater e responder a três perguntas: 1) Por que a categoria precisa ter seus próprios representantes? 2) Como podemos viabilizar uma candidatura e a eleição de representantes nas bases? E 3) Qual o trabalho deve ser feito nos estabelecimentos de saúde para garantir a conquista deste objetivo?

Ao retornar das discussões, os grupos apresentaram suas definições, que se tornarão uma ferramenta de orientação para a ação concreta. 

Imersão na saúde mental

Na segunda etapa do dia, o médico do Trabalho, Koshiro Otani, fundador da Pulsar Saúde e Trabalho, em uma palestra muito descontraída, falou seriamente sobre a necessidade de consciência de classe. “Sem história, o trabalhador não reconhece o adversário. Sem consciência de classe, ele o defende”, resumiu em sua apresentação. Mas o palestrante também apresentou estatísticas, transformações no mundo do trabalho e como isso tem levado à problemas de saúde mental entre os trabalhadores da saúde. “Normas regulamentadoras e códigos sanitários são ótimos, mas temos problemas de aplicação da lei e falta de fiscais”, registrou e lembrou: “o melhor fiscal das condições de trabalho é o próprio trabalhador”. O médico apontou que os interesses econômicos têm se sobreposto à proteção da saúde dos trabalhadores e que a sobrecarga de trabalho e equipes reduzidas têm levado os profissionais a adoecer. 

Otani ensinou que a NR-1, que está em vigor a partir desta quarta, 26 de agosto de 2026, tem que ser aplicada com outras normas, como a NR-17, que trata sobre ergonomia. 

CIPA+A

Na sequência, o advogado e procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) aposentado, Raimundo Simões Melo, ministrou a palestra “A força da lei da CIPA+A e o papel dos três poderes na construção de um ambiente de trabalho mais seguro”. Ele começou lembrando que a classe que está no Congresso Nacional defende os interesses dos patrões e, por isso, ocorreu a Reforma Trabalhista de 2017, que prejudicou a existência dos sindicatos diretamente. 

Melo se dedicou a apresentar algumas normas e regulamentações que formam a legislação que protege os trabalhadores, como a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora), que obriga a mapear os focos que geram problemas na saúde mental dentro das organizações, como metas abusivas, jornadas exaustivas, sobrecarga e assédios moral e sexual. 

O ex-procurador lembrou a importância da CIPA+A (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédios). Ele elencou os principais objetivos da CIPA que são: 

- Inclusão de regras de condutas para combater assédios e outras formas de violência, com ampla divulgação; 

- Fixação de procedimentos e acompanhamento de denúncias; 

- Sanções administrativas e garantia de anonimato do denunciante; 

- Realização de orientação, capacitação e sensibilização sobre temas como violência e assédios moral e sexual no ambiente de trabalho, de 12 em 12 meses, no mínimo. 

Defensor da representação sindical, dr. Raimundo aponta que os trabalhadores tem unicamente o seu sindicato para defende-los e que a CIPA se fortalece com a presença de sindicalistas. “Só tem CIPA atuante quando tem relação com o Sindicato”, avalia. 

CIPA Estratégica

O engenheiro do Trabalho do Sinsaúde Campinas e Região, Marcelo Serafim, ministrou a última palestra do dia sobre “A função da CIPA+A na área da Saúde”. Responsável pelas fiscalizações feitas pelo Sindicato em unidades hospitalares, juntamente com o MPT, Serafim destacou a importância da participação e o crescimento da presença dos dirigentes sindicais dentro das CIPAs desde 2025, com o incentivo do presidente da entidade, Édison Laércio de Oliveira.  

“Alcançamos maior presença nos espaços de prevenção, maior proximidade com os problemas e ampliação do diálogo com a empresa”, revelou. Ele destacou que a nova CIPA traz uma mudança de cultura com relação a prevenção e o combate aos assédios. “Nosso próximo passo é consolidar a CIPA+A Estratégia, que tem como eixos: Ouvir, Identificar, Registrar, Acompanhar, Cobrar e Transformar a realidade nas empresas que levam ao adoençamento dos trabalhadores. 

O segundo dia do Encontro Estadual da Saúde terminou com um debate sobre os temas e os participantes fazendo perguntas aos palestrantes. O presidente da Federação e do Sinsaúde fechou os trabalhos informando sobre o canal de denúncias do Sindicato e as ações de combate ao assédio. “Colocamos nosso Jurídico para processar os assediadores e as empresas nos casos de assédios por dano moral”, contou. 

 

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