Palestra do Setembro Amarelo no Sinsaúde cuida de quem precisa cuidar
O cuidado com a saúde mental de quem cuida foi tema da palestra realizada pelo Sinsaúde como parte das atividades do Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. Conduzido pelo médico do trabalho Koshiro Otani, o encontro reuniu trabalhadores na Sede Central do Sindicato e também foi transmitido pelas redes sociais. “Uma mente descansada é sadia e produtiva”, definiu Otani em sua abordagem.
A palestra abordou os impactos das pressões, jornadas extensas e sobrecarga na saúde mental, além de sinais de sofrimento psíquico e formas de acolher e encaminhar quem precisa de ajuda.
O presidente do Sinsaúde, Edison Laércio de Oliveira, abriu o encontro, diante de uma sala repleta de trabalhadores, ressaltando a importância da presença de todos e de iniciativas como esta, que visam conscientizar sobre o cuidado com a saúde mental. “Estamos dando início a uma série de palestras de prevenção com o Dr. Otani. Agora, do Setembro Amarelo, depois teremos o Outubro Rosa e o Novembro Azul, porque prevenção acontece todo dia e a todo instante, sempre”, disse.
A palestra do Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama, acontecerá no dia 28 de outubro, dia do aniversário de 88 anos do Sinsaúde. Já a palestra sobre a campanha Novembro Azul, de atenção ao câncer de próstata, ocorrerá no dia 12 de novembro. As duas serão realizadas na sede do Sindicato e abertas ao público, com transmissão pelas redes sociais do Sindicato.
Pressões, correria e sobrecarga
Otani abriu sua fala contando a história da descoberta da gravidade pelo inglês Isaac Newton, quando o fruto caiu em sua cabeça enquanto descansava sob uma macieira, para dar o exemplo de que precisamos de uma mente sã, desacelerada, para sermos criativos e felizes. “Newton não estava colhendo maçãs, mas estava deitado, meditativo, calmo debaixo da árvore”. As pressões, correrias e sobrecargas do dia a dia trazem adoecimento à saúde mental.
Com humor, o fundador da Pulsar Saúde e Trabalho citou exemplos positivos para destacar que o trabalho em longas jornadas, pressões, correrias e sobrecargas ocupa tempo excessivo da vida das pessoas, causa estresse e pode levar a adoecimento psíquico, que no extremo leva a pensamentos de morte. “Por isso, defendemos a redução da jornada e o fim da escala 6x1”, citou.
O diretor sindical, Carlos Rogério Reis, destacou que iniciativas como as do Sinsaúde são necessárias. “Tem que ter este tipo de iniciativa. Temos que cuidar da saúde do trabalhador do Sindicato e da categoria. Trabalhamos para isso”, realçou.
A funcionária do chat do Sinsaúde, Priscila Felito, que diariamente recebe ligações ou troca mensagens diretamente com a categoria, classificou o evento como muito bom. “É importante como alerta para a gente e para olharmos os colegas que estão ao lado”, aprendeu. Já o jovem Guilherme Oliveira, estagiário de TI, elogiou o palestrante. “Ele fala bem. Aprendi, principalmente, que precisamos ouvir mais as pessoas e não só falar”, lembrou.
Dados sobre saúde mental
Os problemas de saúde mental dos trabalhadores têm se tornado uma questão de saúde pública. Dados apresentados por Otani mostram que o sofrimento psíquico e adoecimento, relacionados ou não ao trabalho, geraram mais de 546 mil afastamentos em 2025, a um custo de R$ 3,5 bilhões ao INSS.
“Os afastamentos relacionados à saúde mental crescem exponencialmente e exigem ações preventivas e de uma gestão eficiente dos fatores de risco e de seus determinantes”, explica.
A NR-1 (Norma Regulamentadora), que passou a valer em setembro, traz um foco justamente em identificar fatores que possam causar danos na saúde mental, tanto no ambiente, como nos assédios moral e sexual.
O que fazer?
A proposta é criar ambientes nos quais as pessoas consigam falar e buscar ajuda. O Sinsaúde contribui com a iniciativa de organismos internacional e nacional em uma tentativa de mudar a narrativa sobre os transtornos mentais mais comuns, ansiedade e depressão, incluindo suicídio.
“A intenção do Sinsaúde é atualizar a formação dos trabalhadores para que sejam capazes de perceber, acolher e saber o que fazer depois da escuta”, afirma o diretor de Assuntos Jurídicos, Paulo Gonçalves.
Alguns sinais de problemas na saúde mental que merecem atenção:
* isolamento repentino
* perda de interesse por atividades do dia a dia
* falas sobre culpa, inutilidade ou falta de sentido
* mudanças intensas no sono ou no apetite
* irritabilidade, tristeza profunda ou cansaço constante
* despedidas incomuns ou comentários sobre não querer continuar
Como ajudar alguém:
* escute com calma e sem minimizar a dor
* evite frases como “isso vai passar” ou “você precisa ser forte”
* incentive a busca por apoio profissional
* mantenha contato e demonstre presença
* em caso de risco imediato, procure ajuda urgente
Rede de apoio
A Rede de Atenção Psicossocial do SUS reúne serviços de diferentes níveis de atendimento. A UBS pode orientar o paciente e encaminhá-lo quando necessário.
Em casos de urgência, também existem as Unidades de Pronto Atendimento, os hospitais, os prontos-socorros e o SAMU, pelo telefone 192. O Ministério da Saúde inclui tentativas de suicídio entre as situações atendidas pelo serviço.
O CVV atende pelo telefone 188, gratuitamente, todos os dias. O serviço oferece apoio emocional e funciona em parceria com o SUS.
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região com informações da Pulsar Saúde e Trabalho