Bancada sindical de trabalhadores cresce na próxima legislatura

Os dados apontam para 48 parlamentares eleitos em 2026 na bancada sindical, um crescimento de 7 parlamentares.
Bancada sindical de trabalhadores cresce na próxima legislatura
Publicado: 09 de novembro, 2026

Levantamento preliminar do DIAP aponta a nova bancada sindical dos trabalhadores na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Para a 58ª legislatura, que terá início em 2027, serão 38 membros na Câmara dos Deputados e 10 no Senado Federal oriundos do movimento sindical do campo, da cidade ou de servidores públicos além, de representantes de associações ligados aos trabalhadores. Também contabilizamos parlamentares simpatizantes da causa trabalhista.

Ainda que de forma prévia, os dados apontam para 48 parlamentares eleitos em 2026 na bancada sindical, um crescimento em número absoluto de 7 parlamentares.  No pleito de 2022 saíram das urnas 41 congressistas identificados com pauta trabalhista.

O DIAP faz o levantamento das bancadas desde 1990, resultado das eleições gerais de 1989. Ao longo das legislaturas a representação dos trabalhadores pelos dirigentes sindicais no Congresso Nacional oscilou, tendo seu maior número em 2011/2015, quando atingiu 72 parlamentares ligados ao movimento sindical de trabalhadores.

Os ataques à estrutura sindical de trabalhadores e as frequentes campanhas difamatórias que alcançam os meios de comunicação de massa e agora as redes sociais, contribuem para o desequilíbrio na representação de dirigentes da classe trabalhadora nos postos de poder decisório do País.

A pauta defendida pelos trabalhadores movimenta interesses de diversos setores econômicos no Congresso Nacional e coloca em xeque o discurso de bem-estar da sociedade entre representantes empresariais do campo e da cidade. Porém, a democracia tem como um de seus pilares a representação dos trabalhadores através das organizações de classe.

O trabalhador sozinho se torna vulnerável nas relações entre patrões e empregados e, nessa dicotomia, entram as organizações sindicais para fazer da democracia representativa sua forma de luta e atuação na defesa de melhores condições de trabalho, renda e qualidade de vida da população laboral.

A bancada sindical veio crescendo ao mesmo tempo em que a democracia se afirmava nos pós ditadura militar e, após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, os números apontaram para uma queda até uma estabilização na representação dos trabalhadores no Congresso Nacional. Atualmente com 41 deputados e senadores na bancada, há uma clara sub-representação dos trabalhadores no Poder Legislativo.


A representação da bancada sindical conta com a maioria de homens, 30, sendo 25 deputados e 5 senadores. As mulheres são 18, sendo 5 senadoras e 13 deputadas. O PT é o partido com mais representantes na bancada, 33 membros, seguido do PL com 5 parlamentares.  O PcdoB conta com 4 representantes e o PSOL com 3.


Entre os novatos nesta legislatura, no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, são sete de cada casa que compõem a bancada. Porém, vale destacar que há uma circulação de poder, como é o caso de Luiziane Lins (REDE-CE), Sanderson e Nicoletti (PL) que estavam na Câmara dos Deputados. Marilia Arraes (PDT-PE), também já esteve na Câmara baixa em legislatura anterior.

A experiência e vivência na política é uma tônica da bancada sindical. Em geral todos participaram de mandatos eletivos nos legislativos estaduais ou municipais além de exercer a representação de classe em suas entidades, ou seja, não são calouros no debate político.

Entre os estados, a Bahia, Rio Grande do Sul, e São Paulo contam com o maio número de representantes, 7, seguidos de Minas Gerais com 6 e Pernambuco com 5 representantes.

Nesta legislatura representantes históricos do movimento sindical de trabalhadores não retornam às Casas Legislativas. Entre eles o senador Paulo Paim (PT-RS) que não se candidatou a reeleição. Paim esteve em presente no legislativo federal desde a assembleia nacional Constituinte (1986/87).

Entre os deputados que estavam em mandato na atual legislatura (2023/2027), os deputados Paulinho da Força (SOLIDARIEDADE-SP), Vicentinho (PT-SP) e André Figueiredo (PDT-CE) não retornam aos mandatos.

Conheça abaixo a lista dos deputados e senadores eleitos para a 58ª legislatura que fazem parte da bancada sindical no Congresso Nacional.

Deputados Federais

Perpétua Almeida PCdoB  AC
Afonso Florence  PT     BA
Alice Portugal   PCdoB  BA
Daniel           PCdoB  BA
Pastor Isidoro   AVANTE BA
Valmir Assunção  PT     BA
Agnelo Queiroz   PT     DF
João Coser       PT     ES
Jack Rocha       PT     ES
Prof. Rosa Neide PT     MT
Leonardo Monteiro PT    MG
Padre João        PT    MG
Paulo Guedes      PT    MG
Rogério Correa    PT    MG
Subtenente Gonzaga PL   MG
Airton Faleiro     PT   PA
Dilvanda Faro      PT   PA
Ricardo Coutinho   PT   PB
Carlos Veras       PT   PE
Rosa Amorim        PT   PE
Carol Dartora      PT   PR
Jandira Feghali   PCdoB RJ
Rick Azevedo      PSOL  RJ
Marcelo Freixo    PT    RJ
Bohn Gass         PT    RS
Maria do Rosário  PT    RS
Giovani Cherini   PL    RS
Marcon            PT    RS
Valdeci Oliveira  PT    RS
Denise Pessoa     PT    RS
João Daniel       PT    SE
Arlindo Chinaglia PT    SP
Carlos Zarattini  PT    SP
Prof. Luciane Cavalcanti PSOL SP
Juliana Cardoso   PT    SP
João Paulo Cunha  PT    SP
Luiz Carlos Motta PL    SP
Natália Boulos    PSOL  SP

Senado
Luziane Lins      REDE  CE
Jaques Wagner     PT    BA
Rui Costa         PT    BA
Marília Campos    PT    MG
Humberto Costa    PT    PE
Tereza Leitão     PT    PE
*Marilia Arraes   PDT   PE
*Samanda de Lula  PT    RN
Ubiratan Sanderson PL   RS
Nicoletti          PL   RR

(*) não são dirigentes sindicais, mas atuaram em secretárias municipais ou estaduais de Trabalho, Emprego e Renda ou relacionadas.
 

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