Dieese realiza estudo sobre a inflação de alimentos e os limites da política monetária e PEC 65
A inflação voltou ao centro do debate econômico em 2026, sobretudo devido à alta dos alimentos, que continua pressionando o orçamento da classe trabalhadora. Embora o índice geral de preços permaneça relativamente controlado, diversos produtos essenciais mantêm valores muito superiores aos observados antes da pandemia, resultado de fatores como eventos climáticos extremos, instabilidade geopolítica, aumento das exportações de commodities e concentração de mercados.
Nesse contexto, compreender as causas da inflação torna-se fundamental para definir as políticas capazes de enfrentá-la sem comprometer o crescimento econômico, o emprego e a renda. Essa reflexão é particularmente relevante, dado que diferentes diagnósticos sobre a origem da inflação conduzem a distintas estratégias de política econômica e a concepções diversas sobre o papel do Estado e das instituições responsáveis pela estabilidade monetária.
A partir dessa perspectiva, o texto analisa os limites da política monetária baseada predominantemente na elevação da taxa de juros e apresenta o debate em torno da PEC 65 (Proposta de Emenda à Constituição), que amplia a autonomia financeira e administrativa do Banco Central. Mais do que uma mudança institucional, a proposta suscita questões sobre quem define a política monetária, quais interesses deve priorizar e quais podem ser os impactos sobre o crédito, o investimento, o financiamento das políticas públicas e as condições de vida da classe trabalhadora.
A inflação de alimentos e a mudança do patamar dos preços A taxa de inflação oficial do país fechou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que representa a inflação das famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos, encerrou o ano com variação de 3,90%, enquanto o grupo alimentos e bebidasaumentou 2,95% e odo subgrupo alimentos no domicílio cresceu 1,43%. Em 2026, a inflação de alimentos tem sido mais intensa. Entre janeiro e maio, o IPCA teve alta de 3,20%, enquanto o grupo alimentos e bebidas registrou variação de 4,81% e os preços dos alimentos consumidos no domicílio aumentaram 5,68%. Esses percentuais mostram que os preços dos alimentos passaram a subir em ritmo superior ao da inflação média, pressionando principalmente o orçamento das famílias de menor renda. A desagregação do IPCA por classe de renda indicou que, até maio de 2026, a inflação das famílias de renda muito baixa foi de 3,46%, 0,63 pontos percentuais a mais do que a das famílias de renda muito alta (2,83%). A inflação de alimentos acentua a desigualdade e coloca as famílias de baixa renda em situação de vulnerabilidade, obrigando-as a escolher entre pagar as contas dos serviços básicos ou comprar alimentos.
Fonte: DIeese