Jundiaí: SOBAM tem lucro de R$ 40 milhões, mas oferece reajuste de 4,42% em 2x
Sinsaúde rejeitou, de imediato, a proposta do SindJundiaí (sindicato patronal), na segunda-feira (6), depois de quatro meses da apresentação da pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026. A proposta inaceitável e desrespeitosa prevê 4,42% de reajuste salarial em duas parcelas para os trabalhadores da SOBAM. A primeira parcela, de 2,42%, em junho e, a segunda, completando os 4,42%, somente em fevereiro de 2027. O trabalhador só receberia o reajuste completo no Carnaval de 2027. É brincadeira ou não é?
"Esta é a demonstração de que apresentar carta de oposição ao Sindicato é um tiro no pé da categoria. Os patrões acham que estamos sem força para negociar e que os trabalhadores não vão lutar pelos seus direitos", afirma o diretor de Assuntos Jurídicos do Sinsaúde, Paulo Gonçalves. O tema da Campanha Salarial deste ano é "Mostra Tua Força". "É hora de mostrarmos nossa força e lutar por respeito", diz ele.
A proposta da SOBAM tem como base o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), acumulado de junho de 2025 a maio de 2026. O reajuste salarial de 4,42% vem dividido em duas parcelas: 2,42% em junho e o restante somente em fevereiro de 2027. O vale-alimentação também recebe reajuste de 4,42%.
Lucro bilionário
É importante lembrar que as empresas de saúde tiveram um lucro de R$ 24 bilhões no ano passado, mas não dividiram seus ganhos com quem realmente produz essa riqueza: os trabalhadores. Na SOBAM de Jundiaí, o cenário é ainda mais revelador.
Em 2025, o lucro líquido da empresa saltou para R$ 40,3 milhões, um crescimento de 68,4% em relação a 2024. No mesmo período, a receita total chegou a R$ 466 milhões, e a SOBAM distribuiu mais de R$ 90 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos seus acionistas. A empresa lucra, distribui dividendos recordes, no entanto, oferece aos trabalhadores o mínimo possível.
"Os números da SOBAM provam que há dinheiro e ainda sobra. O que falta é vontade de valorizar os trabalhadores que constroem esse resultado todos os dias", afirma a presidente da Subsede do Sinsaúde em Jundiaí, Beatriz de Castro.
Para a vice-presidente do Sinsaúde, Juliana Machado, é hora de os trabalhadores acordarem e defenderem suas conquistas. "Tudo que os empregadores querem é que o Sindicato não tenha força na negociação. O Sindicato é a força da categoria e precisamos da participação de todos para conquistarmos nossos objetivos de melhores salários e condições de trabalho", analisa.
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região