Incluir é inteligente. Excluir custa caro - Por Amauri Mortágua
Por Amauri Mortágua
Durante muito tempo, a defesa da inclusão foi tratada exclusivamente como uma questão de direitos humanos. E, de fato, ela é. Toda pessoa merece ser respeitada, valorizada e ter oportunidades iguais, independentemente de sua orientação sexual, identidade de gênero, etnia, religião, deficiência ou qualquer outra característica que compõe a diversidade humana.
Mas um estudo recentemente apresentado ao Tribunal Superior do Trabalho revela uma dimensão que já não pode mais ser ignorada: o preconceito também produz enormes prejuízos econômicos.
Quando empresas deixam de contratar talentos por discriminação, quando trabalhadores são impedidos de crescer profissionalmente por causa de quem são, quando pessoas são empurradas para a informalidade ou para o desemprego, perde o indivíduo, perde a empresa e perde o país.
A conta é impressionante: R$ 94,4 bilhões deixam de circular na economia brasileira todos os anos em razão da exclusão da população LGBTQIAPN+ do mercado de trabalho. Outros R$ 14,6 bilhões deixam de ser arrecadados pelo poder público. São recursos que poderiam financiar escolas, hospitais, infraestrutura, inovação e programas sociais.
Isso demonstra algo que deveria ser óbvio: o preconceito não é apenas injusto e burro. É também profundamente ineficiente.
Nenhuma empresa se torna mais competitiva rejeitando competência. Nenhuma economia cresce desperdiçando talentos. Nenhuma sociedade se fortalece transformando diferenças em barreiras.
O mundo do trabalho está mudando. As organizações mais inovadoras compreenderam que equipes diversas produzem soluções mais criativas, tomam melhores decisões e entendem melhor os diferentes públicos que atendem. A diversidade deixou de ser apenas um valor ético para se tornar também uma vantagem estratégica.
Os sindicatos têm papel fundamental nessa transformação. Defender igualdade de oportunidades significa garantir que cada trabalhador seja reconhecido por sua capacidade, seu esforço e sua dedicação — jamais por características que nada têm a ver com sua competência profissional.
Construir ambientes de trabalho respeitosos reduz conflitos, melhora a saúde mental, aumenta o comprometimento das equipes e fortalece a produtividade. O resultado beneficia trabalhadores, empregadores e toda a sociedade.
Por isso, combater a discriminação não é fazer um favor a um grupo específico. É investir em um país mais desenvolvido, mais competitivo e mais humano. A história mostra que sociedades que ampliam direitos crescem mais. Economias que valorizam pessoas inovam mais. Empresas que respeitam a diversidade prosperam mais.
No fim das contas, a inclusão não representa um custo. Ela gera riqueza, oportunidades e desenvolvimento.
Já o preconceito cobra um preço alto demais.
Um preço pago em vidas limitadas, em sonhos interrompidos, em talentos desperdiçados e em bilhões de reais que deixam de impulsionar a economia brasileira.
A escolha, portanto, não é apenas moral. É também racional.
Incluir é fazer justiça. Incluir é fortalecer a economia. Incluir é acreditar que o talento humano não tem rótulos. E essa é a decisão mais inteligente que uma sociedade pode tomar.
*Amauri Mortágua, presidente da UGT-SP