Lei e protocolo para proteger enfermagem vítima de agressão e passeata são debatidos em Audiência Pública com SindsaúdeJaú
Da mesma forma que existe um protocolo para coibir casos de racismo no futebol, é preciso criar protocolos para defender e acolher o profissional da enfermagem e afins no ambiente de trabalho, tanto na saúde pública como na privada. Esta foi uma das questões debatidas na Audiência Pública realizada nesta quarta-feira, 2/09, na Câmara de Jahu. Também ficou definido que, em 15 dias, deverão ser analisadas leis a serem apreciadas pelos vereadores. Também foi proposta a realização de uma passeata para esclarecer a população de que violência contra a enfermagem é crime.
O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú esteve presente, representado pela presidente Edna Alves e pelos diretores Irineu Aparecido da Rocha e Sofia Claudete Rodrigues Borges. Em sua fala de cinco minutos, Edna falou do caso da agressão física ocorrida contra dois trabalhadores da saúde em unidade municipal em Jaú – envolvendo Osvaldo e Mariana. Lembrou que o Sindicato logo publicou uma carta de repúdio pelo acontecido e que a Federação dos Trabalhadores da Saúde desenvolve a campanha “Saúde Sim, Violência Não”.
Agressão mental – Edna disse que agressões não se limitam à parte física, mas também à mental e psicológica, tanto por parte da população insatisfeita com o sistema de saúde pública como de chefias em hospitais contra auxiliares e técnicos de enfermagem e contra demais profissionais da saúde. Disse que a “guarda” nas unidades de saúde não age para conter o agressor. Citou outro caso recente ocorrido em Bariri e disse que é comum.
“Até que ponto vamos deixar esse pessoal apanhar e perder a vida ou a saúde mental?”, questiona. Elogiou a diretoria do Coren-SP pela participação na Audiência Pública e pediu parceria para ajudar nesse objetivo de proteger a categoria. “Profissionais da saúde têm medo de perder o emprego quando relatam agressões”, lamenta.
A sindicalista cobrou dos vereadores projetos de lei para proteção do trabalhador da saúde. Pediu união das forças e alertou aos estudantes da área para que busquem conhecimento sobre direitos e deveres. “É preciso ter uma lei em nosso município que proteja a todos os trabalhadores”.
Passeata – Na intervenção final, após todos os pronunciamentos, Edna disse ser importante programar uma passeata para envolver a população nessa luta contra a violência na saúde. “Sugiro que a gente faça uma passeata para mostrar à sociedade que estamos lutando contra a violência. Todos os profissionais e autoridades estão convidados”.
Assédio – Edna apontou ainda que não é só a população que agride o trabalhador. Disse que chefes de setor e setores de medicina do trabalho atuam e prejudicam a saúde mental do trabalhador quando promovem assédio moral e não oferecem o devido tratamento quando o profissional sofre de doenças profissionais. Outra sugestão dela é ter uma comissão de defesa do trabalhador dentro do Conselho Regional de Saúde.
Segundo notícia publicada no Jornal da Cidade, de Bauru, “levantamento realizado pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), com 4.402 profissionais de enfermagem do estado, revela que 72,6% já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho, seja ela verbal, física, psicológica ou sexual. Durante o período da pesquisa, sete casos de violência contra profissionais de enfermagem foram registrados em Jaú.
Prossegue a reportagem do JC: “Outro dado preocupante é a subnotificação dos casos. Segundo a pesquisa, 69,9% dos profissionais não denunciam as agressões, principalmente pela sensação de impunidade e pelo medo de perder o emprego. Além disso, 54,5% afirmam não receber apoio do local de trabalho após sofrerem violência.”
E ainda no Jornal da Cidade: “Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), Sérgio Cleto, a violência contra a enfermagem tem impacto direto também na população, que muitas vezes deixa de ser assistida quando o profissional precisa ser afastado para se recuperar.”
Fonte: Sindsaúde JAú