Lula consegue virada épica, derrota Flávio Bolsonaro e será presidente pela 4ª vez

Lula consegue virada épica, derrota Flávio Bolsonaro e será presidente pela 4ª vez
Publicado: 26 de outubro, 2026

Às 21h09 deste domingo, 25/10, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Com 99,67% das urnas apuradas, Lula tinha 51,75% dos votos, Flávio Bolsonaro, do PL, tinha 48,25%. O petista será presidente pela quarta vez.

Lula conquista virada histórica

O candidato do PT encerrou o primeiro turno da disputa presidencial com 2,2 milhões de votos a menos do que Flávio, uma diferença de 1,9 ponto percentual. Para seguir na presidência, o candidato do PT precisou buscar uma virada que nunca tinha ocorrido na história do Brasil.

A estratégia contou, principalmente, com uma mudança drásticas nas redes sociais e com a tomada das ruas por atos gigantescos chamados por entidades estaduais. Ana Elisa, deputada federal aos 21 anos em Minas Gerais, foi chamada para integrar o núcleo de campanha. André Janones, deputado federal reeleito pela Rede Sustentabilidade, também em Minas, criou o “Exército de Lula”, canal no WhatsApp que superou os 10 milhões de inscritos na antevéspera do segundo turno.

O grupo enfrentou problemas durante a campanha eleitoral. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, chegou a determinar a derrubada do grupo no dia 11 de outubro. O “Exército” voltou a operar dias depois, cadastrado como uma ferramenta de campanha.

A campanha da virada também contou com os primeiros embates diretos entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os debates presidenciais realizados no último domingo, 18/10, na Band, e na última sexta-feira, 23/10, na Globo, contaram com sequências de ataques entre os candidatos. O comportamento descortês do candidato do PL e informações falsas levantadas durante o debate também fortaleceram a campanha de Lula.

A suposta interferência da Meta, empresa americana que administra o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, também foi um fato marcante nas eleições presidenciais. A organização chegou a ser questionada pelo TSE após suspeitas de restrições de alcance em publicações da campanha petista, além de eventual favorecimento aos conteúdos que faziam referência à campanha de Flávio. As inteligências artificiais do grupo também foram questionadas, pois aceitavam produzir materiais de campanha para o PL, enquanto se recusavam a criar artes relacionadas a Lula.

As propostas de Lula
Entre as propostas apresentadas, Lula priorizou o crescimento com distribuição de renda e a preservação do poder de compra. Entre os compromissos estão a manutenção da política de valorização real do salário mínimo acima da inflação, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil e o avanço de discussões para a redução da jornada de trabalho (com o fim da escala 6×1 e a meta de 40 horas semanais sem corte salarial).

As metas incluem a expansão do programa Pé-de-Meia para cobrir o ensino médio e alcançar etapas do ensino superior público, o aumento de vagas em creches e escolas em tempo integral, e o fortalecimento do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Na saúde, as propostas destacam o fortalecimento do Farmácia Popular gratuito, a ampliação de centros especializados de oncologia no Sistema Único de Saúde (SUS) e o reforço da rede de atenção psicossocial.

O plano de Lula defende a atuação coordenada da União por meio da criação do Ministério da Segurança Pública e do fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A estratégia prevê foco na asfixia financeira do crime organizado, combate ao tráfico de armas e uso de tecnologia e inteligência integrada.

Biografia pessoal e política
Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 1945 no interior de Pernambuco, em uma família humilde de lavradores. Marcada pela extrema pobreza e pela seca no Nordeste, a infância do futuro presidente foi profundamente moldada pela migração para o estado de São Paulo no início da década de 1950, quando sua mãe, Dona Lindu, levou os filhos em um caminhão “pau de arara” em busca de melhores condições de vida.

Na capital paulista, começou a trabalhar desde muito jovem em pequenos serviços informais, como engraxate e ajudante de tinturaria. Na adolescência, ingressou em um curso profissionalizante de torneiro mecânico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), formação que abriu as portas para o setor metalúrgico. Foi durante esse período que Lula sofreu um acidente de trabalho em uma fábrica, perdendo um dos dedos da mão esquerda.

Ao longo da década de 1970, sua trajetória se transformou com a entrada na militância sindical no ABC paulista. Eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, ganhou destaque nacional ao liderar paralisações e mobilizações de trabalhadores que desafiavam o regime militar. As greves históricas do período o projetaram como uma das vozes mais influentes da oposição sindical e resultaram em sua prisão política temporária em 1980.

A transição da atuação sindical para a vida partidária ocorreu logo em seguida, quando Lula participou diretamente da criação do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980 e, mais tarde, da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Lula foi uma figura ativa na campanha das Diretas Já, movimento popular que pedia o retorno do voto direto para a presidência da República, e conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 1986 com votação expressiva para a Assembleia Constituinte.

A projeção política o levou a disputar a presidência da República em diversas ocasiões a partir da redemocratização. Nas eleições presidenciais de 1989, a primeira direta em décadas, Lula foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello. Nos pleitos seguintes, em 1994 e 1998, concorreu novamente e foi vencido por Fernando Henrique Cardoso, consolidando sua posição como o principal líder da oposição durante toda a década de 1990.

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O primeiro mandato como presidente veio em 2002, em disputa direta com José Serra. Quatro anos depois, obteve a reeleição para um segundo mandato consecutivo após vencer Geraldo Alckmin, atual vice de sua chapa. Os primeiros governos de Lula foram caracterizados por forte ênfase em programas de transferência de renda, ampliação do acesso ao crédito, expansão do ensino universitário e um cenário favorável de crescimento econômico impulsionado pelo mercado internacional de commodities.

Após deixar a presidência em 2010 com altos índices de aprovação, Lula enfrentou desafios pessoais e jurídicos. Foi diagnosticado e tratado contra um câncer na laringe em 2011 e, anos depois, tornou-se alvo central de investigações judiciais no âmbito da Operação Lava Jato. Ficou preso por 580 dias em Curitiba até que decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam suas condenações processuais, restabelecendo seus plenos direitos políticos.

Lula voltou à presidência na disputa presidencial de 2022, na qual formou uma frente ampla de alianças políticas e venceu o pleito para um terceiro mandato. A disputa foi contra Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro e então presidente do Brasil na época. Quatro anos depois, o candidato do PT conquista novamente a reeleição em disputa acirrada com Flávio e permanecerá no Palácio do Planalto até dezembro de 2030.

Fonte: Amado Mundo

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