O jogo virou: Convenção Coletiva passa a enfrentar os impactos das bets e coloca a prevenção à ludopatia na pauta das relações de trabalho

As CCTs começam a responder a um desafio completamente diferente: os impactos das apostas on-line na vida dos trabalhadores.
O jogo virou: Convenção Coletiva passa a enfrentar os impactos das bets e coloca a prevenção à ludopatia na pauta das relações de trabalho
Publicado: 07 de agosto, 2026

Durante muito tempo, as Convenções Coletivas foram conhecidas por negociar reajustes salariais, pisos, benefícios e jornadas. Agora, elas começam a responder a um desafio completamente diferente: os impactos das apostas on-line na vida dos trabalhadores.

Em um movimento que acompanha a evolução das relações de trabalho, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra, Trabalho Temporário, Leitura de Medidores e Entrega de Avisos no Estado do Paraná (SINEEPRES-PR) inseriu na nova Convenção Coletiva de Trabalho uma cláusula dedicada à prevenção da ludopatia, tornando as chamadas bets um tema oficialmente contemplado pela negociação coletiva.

Mais do que uma inovação jurídica, a medida representa uma mudança de perspectiva: reconhecer que problemas sociais também produzem efeitos diretos no ambiente de trabalho e, por isso, precisam fazer parte da agenda sindical.

A decisão ocorre em um momento em que as plataformas de apostas movimentam bilhões de reais no Brasil e despertam crescente preocupação de especialistas, órgãos públicos e entidades representativas. O aumento dos casos de endividamento, ansiedade, compulsão e comprometimento da saúde mental já repercute na rotina das empresas, afetando produtividade, concentração e qualidade de vida dos trabalhadores.

Foi justamente essa realidade que motivou a inclusão da Cláusula Quadragésima Terceira – Prevenção à Ludopatia (Vício em Jogos de Azar), que estabelece a realização de campanhas permanentes de conscientização e orientação em parceria com o Instituto IAS e o Instituto Mais Brasil (IMB).

 

Da campanha à Convenção Coletiva

A iniciativa não nasceu na mesa de negociação.

Ela é resultado de um trabalho iniciado com a campanha “Desvendando as Bets”, criada pela FEMACO para alertar sobre os riscos das apostas on-line. Diante da relevância do tema, a FENASCON incorporou a campanha ao seu calendário institucional, ampliando o debate em âmbito nacional e defendendo que o movimento sindical assumisse protagonismo na prevenção à ludopatia.

O passo seguinte foi transformar conscientização em proteção efetiva.

O presidente da FENASCON, Paulo Rossi, defendeu que a pauta fosse incorporada à Convenção Coletiva por entender que a negociação coletiva deve acompanhar as mudanças da sociedade.

“As bets deixaram de ser apenas um fenômeno do entretenimento. Hoje, elas afetam a renda das famílias, a saúde mental dos trabalhadores e, inevitavelmente, as relações de trabalho. Quando levamos esse tema para a Convenção Coletiva, mostramos que o movimento sindical está atento às novas realidades e disposto a construir soluções antes que os problemas se agravem.”

Segundo Rossi, a cláusula simboliza uma nova geração de negociações coletivas.

“A Convenção Coletiva continua garantindo direitos históricos, mas também precisa olhar para os desafios que surgem a cada dia. A campanha ‘Desvendando as Bets’ mostrou que a informação salva, conscientiza e previne. Transformar esse debate em uma cláusula convencional foi um passo natural e necessário para ampliar a proteção aos trabalhadores.”

 

A Convenção Coletiva como instrumento de prevenção

Ao incluir a prevenção à ludopatia em seu texto, a Convenção Coletiva amplia seu alcance e demonstra que a negociação sindical pode ser um instrumento estratégico de promoção da saúde, da educação e da responsabilidade social.

A iniciativa do SINEEPRES-PR também consolida um novo capítulo da campanha “Desvendando as Bets”. O que começou como uma ação de conscientização idealizada pela FEMACO e fortalecida nacionalmente pela FENASCON agora passa a integrar um documento normativo que orienta as relações de trabalho.

Mais do que acompanhar as transformações da sociedade, a negociação coletiva passa a antecipar respostas para problemas que já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros.

 

Fonte: UGT
 

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