Trívia, trens e calvário dos passageiros de São Paulo

Acidente na linha Safira, da CPTM, com explosão em vagão, parou trens, afetou o metrô.
Trívia, trens e calvário dos passageiros de São Paulo
Publicado: 24 de julho, 2026

A manhã da quinta (23) foi um inferno para os milhões de brasileiros que vivem na grande São Paulo e dependem do transporte público. Acidente na linha Safira, da CPTM, com explosão em vagão, parou trens, afetou o metrô e abalou toda a rede de transportes de massa durante quase todo o dia.

A empresa que opera a linha, privatizada, é a Trívia, acusada de inexperiência, desleixo, de demitir trabalhadores experientes e contratar em seus lugares gente que desconhece a complexidade do sistema, como observa o mecânico de manutenção do Metrô, Bernardo Figueiredo de Lima, secretário-geral do Sindicato dos Metroviários.

O pano de fundo desse acidente e de outras intercorrências é o mesmo: as privatizações. “Os governos têm sido irresponsáveis e não ligam para o interesse social e coletivo, como tem ocorrido na Sabesp, na Enel e nas linhas privatizadas de metrô e trens”, comenta o diretor Bernardo. “Poderia ter ocorrido uma tragédia de grandes proporções”, ele alerta.

Aos poucos, os privatistas são tirando do Estado o controle e a supervisão do transporte coletivo na Grande São Paulo. Hoje, são quatro as linhas estatais – 1, 2, 3 e 15 – e duas privatizadas, as linhas 4 e 5). A linha 17, mais recente, opera temporariamente pela. Segundo Bernardo, o padrão das linhas privatizadas está muito abaixo da experiência de anos do metrô paulistano.

Bernardo Figueiredo de Lima aponta também outro problema, que é a demora no restabelecimento do funcionamento das linhas. Segundo ele, “o que o Metrô demorava algumas horas pra consertar um problema e restabelecer o sistema, mais isso hoje consome um dia inteiro”.
Recente pesquisa publicada na grande imprensa mostra que tem crescido a rejeição às privatizações. Mas não a ponto de provocar movimentos de usuários contra o mau serviço prestado e os acidentes nas linhas. Para o secretário-geral dos Metroviários, “o desafio é justamente somar forças, ganhar apoio popular contra as privatizações até o momento de serem realizados atos e protestos com o governador Tarcísio de Freitas, que comanda as privatizações”.

Festival – Desde final dos anos 80, as privatizações ganharam escala em todos os níveis de governo. Fernando Henrique Cardoso foi o ideólogo dessa operação, sob o pretexto de “sepultar a Era Vargas”. No lugar da Era Vargas entrou a farra do boi, com evidentes vantagens financeiras para as partes envolvidas.

Manifesto – Na tarde da quinta (23), o Sindicato dos Metroviários de São Paulo dava os retoques finais num manifesto em defesa do transporte público e contra a sanha privatista, contrário aos interesses coletivos.

Fonte: AgÊncia Sindical
 

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