Sérgio Galvão: pânico antes da covid-19 e segredo depois

07/07/2020

 Quando a Itália sofria com mil mortes diárias por causa da covid-19 e o Brasil ainda encarava a pandemia como uma “gripezinha”, João Sérgio Galvão já pensava diferente. Ele morria de medo de contrair a doença. Aos 63 anos de idade e profissional da saúde há cerca de 40 anos, o técnico de enfermagem aposentado temia ser alcançado pelo vírus. Não adiantou. Contraiu o vírus e, com a forma leve da doença, escondeu de todo mundo.

 

Galvão  Pegou covid quando estava afastado dos dois empregos, já que Santa Casa de Jaú e Hospital Amaral Carvalho se valeram da MP 936 para suspender o contrato de profissionais do grupo de risco. Aposentado, ele ficaria só com a renda da aposentadoria não fosse o acordo celebrado entre o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú, que previa um “bônus” de 30% do salário.

Medo de trabalhar - Em abril, quando o cenário no País estava se agravando, Galvão tinha medo de ir trabalhar. Tanto é que “aceitou na hora” quando os hospitais adotaram o afastamento por dois meses.  “Fui o primeiro a aceitar”, conta, preocupado em preservar a vida muito mais do que com a perda salarial. Diferentemente do que fez um amigo, que se recusou a se afastar, contraiu a doença e morreu intubado na UTI da Santa Casa de Jaú no início de junho.

Nem filha sabe - Agora em julho ele volta a trabalhar. E somente agora vai contar para a filha com quem mora que foi positivo para covid. Em maio, ele alegou estar gripado para justificar o isolamento domiciliar. Afastado no dia 7 de maio, ele perdeu uma irmã com câncer no dia 10. Menos de uma semana depois, Galvão testou positivo.

Escondeu o diagnóstico de todos. Não queria alarmar a família. O medo de perder outro parente seria grande. Evitou contar até mesmo para amigos e vizinhos. Teve medo ainda do preconceito que ocorre atualmente contra os profissionais da saúde. “Acham que somos nós que estamos espalhando o vírus.”  O primeiro a saber foi um dos irmãos, isso quando Galvão já estava considerado curado.

Antes do exame positivo, Galvão sentiu os sintomas  febre, tosse e boca sem gosto e correu para o hospital. Colheu o SWAB, mas não fez tomografia. Voltou para casa e se isolou ainda mais, até a confirmação do resultado.  Diz não ter idéia de onde contraiu o vírus. Tudo indica que foi num dos hospitais onde trabalha. Muitos colegas testaram positivos na época.

Paulo César Grange

 

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