Conjuntura em disputa: cenário internacional, trabalho e agenda dos trabalhadores

06/02/2026

Diversos acontecimentos no início de 2026  indicam que o ano será desafiador para a classe trabalhadora em diversas frentes. No cenário internacional, há aumento das tensões globais e fortalecimento de políticas que pressionam países periféricos e dependentes. Nesse contexto, o governo de Donald Trump aprofunda a postura intervencionista e a pressão sobre a América Latina, além de intensificar as disputas geopolíticas na região e no mundo.
 
No Brasil, o desempenho do mercado de trabalho apresentou sinais positivos em 2025, como a melhora de indicadores de emprego, renda e formalização, mas a realidade dos trabalhadores permanece marcada pela precarização, elevada rotatividade e pelas desigualdades estruturais.
 
Essa retomada de algum fôlego é relevante, mas não ameniza ou elimina o fato de que a estrutura do mercado de trabalho foi rebaixada nos últimos anos, especialmente após reforma trabalhista de 2017, que enfraqueceu proteções e estimulou formas mais inseguras de contratação. Nesse contexto, o avanço da sindicalização, após anos de retração, merece destaque especial, pois sinaliza que, mesmo diante de condições adversas, há potencial para reorganização da base sindical e para o fortalecimento da capacidade de ação coletiva dos trabalhadores.
 
Em relação aos preços, é preciso olhar o comportamento da inflação em 2025 e os possíveis desdobramentos dos resultados para 2026, com efeitos sobre o orçamento das famílias, por causa do encarecimento de bens e serviços essenciais. A manutenção de juros elevados como resposta quase automática ao controle inflacionário é uma estratégia que impõe elevados custos sociais ao desestimular investimentos, restringir a atividade econômica e reduzir a capacidade do Estado para implementar políticas públicas voltadas à redução das desigualdades. No campo das negociações coletivas, 2025 registrou resultados melhores que os observados em anos recentes, com reposição inflacionária e ganhos reais em parcela expressiva dos acordos firmados.
 
Esse resultado é relevante porque mostra que a negociação coletiva não se resume à definição de índices de reajustes, mas expressa a correlação de forças, o nível de mobilização e o grau de organização dos trabalhadores. Quanto mais organizada estiver a base e mais consistente for a estratégia de ação, maiores são as possibilidades de os sindicatos defenderem direitos, salários e melhores condições de trabalho. Na agenda política dos trabalhadores, serviços e servidores públicos são ameaçados com a Proposta de Emenda Constitucional nº 38/2025, que trata da reforma administrativa.
 
A PEC recupera alguns pontos analisados na Nota Técnica 288, que abordou o assunto enfatizando o enfraquecimento de princípios do Estado, expansão de vínculos mais instáveis e o estímulo à lógica de remuneração variável, entre outros pontos. Para o movimento sindical, esse debate é central porque envolve não só as carreiras do funcionalismo, mas também o modelo de Estado e a capacidade pública de garantir e manter direitos sociais.
 
 
 
Fonte: Dieese
 

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